terça-feira, 21 de abril de 2009

Google e os jornais. A guerra está apenas começando

Corro o risco de parecer estar me repetindo, mas volto ao tema dos direitos autorais. Dessa vez para refletir a discussão do momento entre os jornais americanos e o Google. Na semana passada, esperava-se um confronto entre as partes numa convenção dos jornais americanos, durante palestra do presidente do Google. Não houve. E isso porque a Associated Press anunciou, via discurso onde não citou diretamente o buscador, que iria exigir dos sites de busca um pagamento pelo uso de suas matérias e dos jornais associados.

A questão novamente é quem lucra ou não com o trabalho. Os jornais alegam que eles mantem as estruturas de jornalistas e de seus próprios sites, mas que os buscadores lucram com as propagandas colocadas em suas páginas, sem precisar montar uma estrutura tão ampla. Mas não podem abrir mão do fluxo de novos leitores que os buscadores enviam para eles, sob o risco de verem diminuir sensivelmente o número de leitores virtuais.

Vejo pelo meu próprio exemplo. Leio muitas matérias do New York Times, do The Guardian, da Forbes e da Times, mas minha porta de entrada é sempre as minhas buscas. Se fosse tentar pesquisar os vários veículos de comunicação, minha leitura se limitaria aos poucos que me lembrasse, ou à minha paciência em ficar abrindo diversos sites à busca dos assuntos de meu interesse.

Google News Timeline

Em meio a essa discussão, o Google lançou ontem um novo serviço, o Google News Timeline, que vai além do Google News, e permite numa só tela que o internauta tenha uma visão histórica das notícias sobre os assuntos que esteja pesquisando. Seja semanal, mensal, anual ou por décadas. Um serviço que amplia ainda mais a vantagem que eles tem sobre os jornais como endereço inicial de busca de notícias e, consequentemente, aumentando a possibilidade de lucrar com publicidade.

Essa discussão se une àquela dos copyrights de músicas e filmes, que acaba de ter um novo round vencido pelas gravadoras, durante o julgamento do PirateBay. Mas eu continuo acreditando que a solução virá pela criação de uma nova forma de se cobrar os direitos autorais, deixando de ser algo individual e passando a ser algo próximo a uma assinatura de serviço.

O tempo irá criar uma nova solução. É só esperar.

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