segunda-feira, 2 de novembro de 2009

AutoShow 5: Uma paixão que desconhece o conforto

Imagine comprar um carro por 290 dólares em 1925, rodar por 84 anos e, depois, revendê-lo por 32 mil dólares. Parece loucura? Pois esse é o preço de um Ford T anunciado na internet esta semana. É para se pensar. Se é verdade que um carro se desvaloriza só de sair da concessionária, qual é a mágica para um modelo sem direção hidráulica, sem ar-condicionado, sem rádio, sem nenhum dos confortos atuais, se valorizar tanto? Resposta? O Antigomobilismo.

1925 Ford Model T coupe

Alguns colecionam quadros. Outros preferem dedicar tempo a apreciar vinhos. Também existem os que buscam prazer em esportes. Um fanático por veículos antigos reúne as qualidades de todos os tipos de hobby. Um antigomobilista é aquele que aprecia a arte representada pelos carros de época. Com isso, ajuda a conservar parte da história deste que é um dos maiores inventos do ser humano.

O mundo começou a ficar realmente pequeno quando os primeiros carros permitiram atravessar rapidamente enormes distâncias, sem precisar parar para descansar os cavalos. A liberdade passou a ser limitada pelo alcance do tanque de combustível. Ou pela rede de postos de abastecimento. Criadas as condições do desenvolvimento, o resto é história. Aos poucos os carros passaram a significar status e a refletir a moda do momento. Essa evolução o colecionador de carros antigos ajuda a preservar.

É interessante de se perceber que um antigomobilista não é uma pessoa egoísta. Muito antes pelo contrário. Um dos maiores prazeres é compartilhar seu bem com as pessoas. O número de eventos públicos de carros antigos demonstra bem isso. Além do prazer em ficar horas e horas falando de características técnicas, discutindo o mercado passado, as versões existentes, todo tipo de detalhe que mostra o que era ter um carro nos anos em que a gasolina custava centavos.

Lógico que existem tipos e tipos de colecionadores. Há aqueles que tem coleção de um único modelo. Outros, colecionam por ano. Também há os que preferem se dedicar a um tipo de carroceria, ou fábrica. Existem até mesmo os que compram um só carro e dedicam todos os seus momentos de lazer a restaurá-lo centímetro por centímetro.

De toda forma, colecionar carro antigo é uma das melhores formas de prazer que conheço. Não me lembro de nenhum colecionador que não tenha um brilho especial nos olhos quando fala dos seus “filhos”. Não é para menos. Utilizar seus momentos de lazer e se dedicar a um hobby que valoriza acima da inflação? É, no mínimo, um bom negócio. Emocional e financeiro.

Poucos bens materiais tem sua história tão bem preservada. A gente não vê nenhum clube da geladeira se reunindo. Nem existe a associação dos proprietários de fax machines. Talvez, o que se veja no futuro, seja a história da humanidade contada através dos seus meios de locomoção. E o sucesso dessa preservação se deverá a uns poucos apaixonados, que preferem rodar num modelo centenário que num moderníssimo carro zero quilômetro.

2 comentários:

Daniella Simões disse...

De todos os blogueiros que sigo profissionais, você é o que mais me atrai com seu post's adoro a maneira que escreve e pricipalmente a leveza dos textos... parabéns mil vezes pelo seu blog...

lfgarcia disse...

hau! vc já viu o carro (Fiat) do professor Poli (ESPM/SP)!?!?! Falemos pessoalmente...
abs.

 
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