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sábado, 29 de agosto de 2009

Honda City: Estratégia de preço pode gerar posicionamento

Honda CitySão oito os leitores que enviaram cartas para a redação da revista Quatro Rodas comentando sobre o lançamento do novo carro da Honda, o médio City. Diferentemente do habitual, em que as cartas tem conteúdo que discutem design ou as eternas brigas de mercado, todos se concentraram em comentar o preço do modelo. Não teve um que não escreveu ser o valor pedido acima do que o carro vale. Como cita a própria revista, que coloca um trecho da carta do leitor Celso Pires em destaque, “A Honda deve achar os consumidores míopes ou lunáticos: de 56 200 a 71 000 reais por um carro do porte de um Polo, Fiesta e Corsa Sedan? É demais!”

Esta é sempre uma questão traiçoeira, em se tratando de marketing: como precificar novos produtos. O valor pedido gera imediatamente uma resposta, seja em posicionamento, seja em vendas. Não precisa ir muito longe. Pense em supermercados, ou em lojas de eletrodomésticos. Ambos os tipos de comércio vendem produtos de marcas de terceiros, mas diferenciam-se através de serviços e preço. Do lado das redes de baixo preço, poderíamos citar Walmart, Carrrefour e Casas Bahia. Na outra extremidade, vendendo comodidade e cobrando por isso, o Pão de Açucar e FastShop. Não quer dizer que você não possa encontrar melhores ofertas nestas duas últimas empresas. Só que o posicionamento, a forma de se apresentar ao grande público, não é focada em destacar o fator economia.

A mesma Quatro Rodas ainda faz uma varredura na rede Honda e constata que os consumidores estão indo aos montes conhecer o novo carro, mas muitos saem dirigindo o Civic, que com, descontos, parte de sessenta mil reais. Pode residir aí a estratégia da montadora: atrair consumidores à sua rede e vender o máximo possível. O City, para aqueles que querem desfrutar de um modelo recém-lançado, mesmo pagando a mais por isso. Ou o Civic, modelo já consagrado, mas que alguns possíveis compradores não se veem em condição de adquirir e que podem mudar de idéia numa conversa com um vendedor.

Seja qual for a razão, de uma coisa podemos ter certeza: lentamente e de forma consistente, a Honda vem ampliando sua participação no mercado brasileiro.

segunda-feira, 23 de fevereiro de 2009

Porque os japoneses vão crescer no Brasil

Corolla e Civic em NY

A imagem acima é do filme Zohan, o agente bom de corte. O filme, aqui, não importa muito. O que importa é pensar nas conotações dessa imagem. Essa é uma cena pouco importante no filme. O herói está andando num bairro de Nova York com um coadjuvante, conversando sobre o problema entre palestinos e israelenses. Na tomada vemos três carros: Um Toyota Corolla, um Honda Civic e um BMW velho.

Assusta pensar que, dos três carros, dois são fabricados tanto nos países de origem, quanto nos Estados Unidos e Brasil. Mais ainda pensar que os modelos fabricados no Brasil não estão em desalinho com os seus pares estrangeiros.

Até a chegada dos japoneses no Brasil, podemos dizer que a política das montadoras instaladas no país sempre foi de importar para cá modelos que estavam prestes a serem abandonados nos países de origem. Os japoneses chegaram e subverteram essa política.

Podemos perceber que a concorrência até tenta se modernizar. Mas sempre se deixam atrair pela velha técnica do facelift – a modernização pela metade de um modelo local enquanto que o mesmo carro fora do Brasil avança para a geração seguinte. É o caso do VW Golf e do Peugeot 207, que de igual aos modelos europeus só tem o nome. Esses e outros exemplos são carinhas novas em corpos velhos.

Enquanto isso, os japoneses tomam decisões de modernização considerando todas as praças onde tem fabricação, independente dos volumes locais.

Um ponto fica dessa diferença de postura: Se todas as demais montadoras dizem que os volumes locais não justificam a modernização das linhas, se os japoneses não estão perdendo dinheiro no Brasil com uma política tão diversa, como eles conseguem fechar os números que seus concorrentes não fecham?

Ou os japoneses são mais eficazes. Ou os demais concorrentes rasgam dinheiro em suas linhas de produção.

sábado, 31 de janeiro de 2009

Tudo normal no mercado automotivo

Blog é um ser vivo. Um amigo meu, outro dia, comentou que só vê automóveis no meu blog. Que vira e mexe eu volto nesse assunto. Aí, eu resolvi me policiar e vieram outros amigos me perguntar por que parei de escrever sobre automóveis. Na verdade eu quero falar é de marketing e, nesse mundo do consumo, o comportamento das pessoas em relação aos seus possantes é minha paixão.

No meio de janeiro, eu postei sobre a liderança da Chevrolet no mercado brasileiro. Apesar da Fiat ter virado o ano líder absoluta, a GM havia começado o ano botando lenha na fogueira e conseguindo uma vantagem significativa sobre as demais. Mas bastaram mais 15 dias para tudo voltar ao normal. A Fiat reassumiu a liderança, com a Volks tentando alcançá-la. E a Chevrolet voltou ao seu posto tradicional, de terceira colocada. O que para ela é ótimo, considerando-se a confusão em que está metida nos Estados Unidos.

2009 vai ser um ano muito interessante de se ver, com relação a algumas guerras em particular. Não que essas guerras sejam diretas e pela preferência de um mesmo tipo de consumidor. É, muito mais, uma leitura de marketing do dia a dia das vendas.

VW x Fiat

A primeira, pela liderança, já que parece ser idéia fixa da Volks voltar ao primeiro lugar do mercado. O Voyage começa a se aproximar do Siena, o Línea não vem contribuindo como deveria e a montadora alemã irá lançar um antídoto contra a Strada Cabine Estendida. Lógico que a Fiat não ficará assistindo impassivelmente.

Renault x Honda

A segunda será entre a Honda e a Renault, que experimentou o gostinho de voltar ao quinto lugar durante o ano passado e que fará de tudo para retornar ao posto. Mesmo que a Honda esteja reforçada com dois modelos de sucesso, o Civic e o New Fit.

Citroen x Peugeot

E a terceira e mais intrigante, a briga interna na PSA, entre Peugeot e Citroën. Se a distância entre as duas já foi um abismo, agora já dá para atravessá-la com um passo. Ajudou a diminuí-la a baixa vendagem do do recente lançamento, o 207, pela Peugeot, e o relativo sucesso do C4 Pallas, pela Citroën. Se a briga entre as duas tivesse gerando ganho de mercado total para os franceses, seria muito benvinda. Mas eu tenho lá minhas dúvidas se as marcas não dividem o mesmo consumidor, que acaba simplesmente trocando uma pela outra.

Quem viver, verá!

sábado, 22 de novembro de 2008

Honda: Chegando devagarzinho, sem alertar os concorrentes



Eu fico impressionado com a capacidade dos japoneses de não fazer barulho. Num mercado agitado como o automotivo, é muito interessante observar e comparar o comportamento dos japoneses e coreanos. Inicialmente, ambos passaram pelos mesmos preconceitos, seja nos Estados Unidos, na Europa, ou no Brasil. A primeira impressão que eles passam é de baixa qualidade e todo o mercado é pródigo em atacá-los como produtos de segunda linha.

Lógico que os japoneses sofreram muito quando entraram nos Eua. Já no Brasil foi tudo mais rápido e fácil. Quem tem sofrido por aqui são as coreanas, mas a história dos japoneses facilita a mudança de imagem mais rapidamente.

Mas o que realmente me impressiona é que, enquanto os coreanos, seja a Hyundai, seja a Kia, fazem um barulho enorme, alardeando seus modelos em páginas e páginas de publicidade, os japoneses vêm fazendo um trabalho silencioso a favor do crescimento de mercado. Hoje, seus produtos feitos no Brasil estão alinhados com suas fábricas no Japão e Estados Unidos, o que os torna os únicos nacionais 100% alinhados. E que coloca em cheque a informação sempre dada pelas concorrentes de que o mercado brasileiro não tem escala suficiente para que as atualizações sigam o ritmo das matrizes.

Agora a Honda lança o novo Fit. É o mesmo Fit japonês ou Jazz europeu, recém-lançados. E que irá manter o modelo na liderança no Brasil. Junto com o Civic, a montadora renovou todo seu parque produtivo nos últimos dois anos. E tal qual o modelo sedan, devemos ver uma corrida dos consumidores às concessionárias, gerando fila e ágio na novidade.

Não é preciso dizer que deve vir reação da Fiat, com o Idea. A GM já agiu, dotando o Meriva 2008 de motor 1.4. Mas se não houver uma mudança de comportamento das quatro grandes, iremos ver as japonesas tomando espaços preciosos numa velocidade que só tende a aumentar. Só o tempo poderá nos mostrar quem tem razão.
 
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