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domingo, 21 de novembro de 2010

Se cuida Carrefour! Walmart vem aí 3

Outro dia li, curioso, a matéria da Exame sobre o rombo de 420 milhões de reais na filial brasileira do Carrefour. Por meios contábeis, a diretoria do supermercado declarou resultados não existentes, indicados em uma auditoria. Resultado? A troca quase que total dos diretores.

Quem lê este blog com frequência sabe que sou um freguês do Carrefour que está sendo cooptado pelo Walmart vagarosamente. Do lado da minha casa tenho um supermercado de cada e o que vem acontecendo nos seus domínios é para mim um reflexo do posicionamento das respectivas redes. Ontem tive um exemplo claro do porquê do rombo na empresa francesa.

Como vamos no show do Paul McCartney, minha esposa sugeriu que passássemos no Carrefour para comprar uma cadeira de praia. Sabe como é, ficar na fila do show só com um pouco de conforto! E a cadeira precisaria ser descartável, pois o risco de não deixarem entrar com ela no Morumbi é muito grande.

Achamos a cadeira a um preço interessante: R$ 36,00 se fosse listrada, R$ 39,00 se fosse numa cor só. Por causa de três reais, minha esposa preferiu a de uma cor só.

As surpresas começaram no caixa: o preço que apareceu no monitor foi de R$ 69,00. Falei com a caixa que havia um erro, ela prontamente chamou o patinador para conferir o preço. Na espera, a caixa comentou “isso sempre acontece, eles mudam o preço na gôndola e esquecem de mudar no sistema”. Surpresa foi o patinador voltar e falar que não havia o código na gôndola.

A caixa chamou uma supervisora, que, depois de 10 minutos chegou e nem pestanejou para dizer: “A listrada é R$ 39,00. A lisa é R$ 69,00.” Ao meu argumento de que não tinha o preço de R$ 69,00 na gôndola, ele me respondeu com um sorrisinho na boca “O senhor me acompanhe por favor…” Ela queria que fosse com ela até a gôndola para provar que estava certa! Conclusão, disse que não, que poderia cancelar a compra e fui embora sem a cadeira.

Por que um fato tão corriqueiro mostra a razão do rombo de R$ 420 milhões? A falta de tato da supervisora em tratar comigo está anos-luz do Carrefour que conheci que tinha um compromisso do menor preço ou a diferença de volta. Este não é um caso de menor preço. Mas sim da postura de querer agradar o consumidor que sumiu dos seus supermercados. A antiga diretoria, ao dar mais atenção aos resultados financeiros, contabilizando verbas publicitárias como receita e deixando de lado perdas de estoque, esqueceu-se de priorizar o que foi o segredo do sucesso no passado: a excelência operacional. Sem foco, os funcionários fazem o que querem, não por maldade, mas por falta de direcionamento.

Espero que um novo Carrefour renasça das cinzas, com a troca do presidente. Até porque sai de lá e parei no Walmart. Que tinha a mesma cadeira, da mesma marca, por R$ 29,00. Sem a necessidade de esperar o patinador nem uma supervisora com ares arrogantes.

quarta-feira, 13 de janeiro de 2010

Servir o cliente é uma arte IV

Seis horas da tarde e, no aeroporto, recebemos a informação que o voo das sete foi cancelado. A fila do check-in uma bagunça. Ter de esperar o voo das oito e vinte não seria o maior problema. Ser enrolado até as dez da noite, isso sim é que tira qualquer um do sério.

A explicação dada é que os aeroportos de São Paulo estão fechados e que o avião que fará nossa viagem ainda não veio de Congonhas. Mas os aviões da Laranja levantam voo e pousam normalmente. Depois de muita informação desencontrada, somos chamados para embarcar. E, para surpresa nossa, o aparelho estava pousado desde as seis.

A péssima experiência estava apenas começando. Dentro do avião, ficamos esperando por mais de dez minutos a chegada de quatro passageiros. Todos, funcionários da própria empresa. Alguém resolve perguntar: Onde esse avião vai pousar? Eu, não minha pouca experiência, faço o cálculo e digo: – Dez e dez mais cinquenta minutos de voo…Guarulhos.

Começa uma nova confusão. Vários reclamando ser um absurdo esperar funcionários da empresa e por isso ir pousar no fim do mundo, outros falando que a empresa não é séria. Nisso, surge uma voz que diz para comissária: Me avisa aonde esse avião irá pousar pois, se for em Guarulhos, eu vou descer. Ela diz que vai consultar o piloto e volta afirmando categoricamente: Vamos para Congonhas.

Para resumir, fomos direto para Guarulhos, a aeromoça fingiu que o problema não era com ela, todos os passageiros saíram reclamando do descaso da empresa e só nos livramos das enormes filas de táxi depois da meia noite. Meu único conforto é que já minha segunda experiência igual, o que me torna mais resiliente ao problema.

Vendo com os olhos de marqueteiro de plantão, fica uma dúvida que me assalta sempre que tenho que voar nas diversas companhias aéreas: Por que um serviço tão repetitivo e tão caro tem uma qualidade de atendimento tão baixo? Eu entendo mal atendimento num caso de exceção, algo que nunca aconteceu. Entendo também funcionários mal treinados e que não sabem como responder com gentileza em casos nunca antes ocorridos. Mas não é esse o caso nos aeroportos brasileiros. Existem atrasos por motivos diversos todos os dias em todo o país. Ou seja, analisar os fatos e criar padrões que tranquilizem o consumidor deveria ser uma obrigação de quem fornece o serviço. Ao contrário, parece que estamos recebendo um favor em poder voar. Como se não tivéssemos pago pela passagem.

Fico sempre com um gosto amargo na boca quando voo e vejo esse tipo de acontecimento. E entendo cada vez mais porque a fidelidade às marcas de companhia aérea é tão baixa. Como disse um amigo meu em nosso voo: É tudo a mesma coisa…

Leia também:

Servir o cliente é uma arte

Servir o cliente é uma arte II

Servir o cliente é uma arte III

segunda-feira, 12 de outubro de 2009

Servir o cliente é uma arte III

Parece que nestes últimos dias a minha sina é testar e entender a qualidade do serviço de diversas empresas brasileiras. Desta vez, fiquei ilhado no inferno que se transformou viajar de avião na véspera do feriado. Tudo porque o aeroporto Santos Dumont, no Rio de Janeiro, permaneceu fechado durante a quinta e sexta passadas, gerando um efeito em cascata de atrasos e cancelamentos em toda a malha aérea brasileira.

Pois não é que quinta viajaria para o norte do Paraná numa dessas aviações regionais? Saldo: Fiquei das 17h às 23:30h esperando meu voo. Dormi em Curitiba, após às duas da madrugada. E voltei a fazer plantão no aeroporto das 7h às 22:30h, primeiro tentando voar para meu destino, depois querendo voltar para São Paulo ou Belo Horizonte.

Durante essas horas de tortura, o que mais me impressionou não foram os atrasos, os cancelamentos, ou os aeroportos fechados. Foi o nível de desinformação dada pelos funcionários da companhia. Vi e participei dessas brigas em aeroporto que a gente vê no Jornal Nacional, tendo sido testemunha que outras grandes companhias também estavam passando pelos mesmos problemas de falta de informações confiáveis. O clima no aeroporto estava tenso.

Nesta verdadeira bagunça, me impressionou o comportamento de uma companhia, a Passaredo Linhas Aéreas. Depois de ter tentado diversas opções para voltar, me foi indicado um voo dessa companhia.

 passaredo

Milagre dos milagres, dentro do caos instalado, os funcionários da Passaredo pareciam estar voando em céu de brigadeiro. Não que seus aviões também não estivessem atrasados. Mas a postura e o nível de informação passados no check-in e na loja eram impecáveis. Nenhuma cara feia, nenhum mal trato, nenhum medo de se falar a verdade sobre os atrasos. Senti-me tratado como um adulto, por pessoas que são profissionais e entendem que o problema dos clientes também são deles.

De repente, minha ansiedade passou, meu nervosismo deixou de existir. E mesmo tendo que dormir no meio do caminho e chegar somente no sábado ao meu destino, a volta foi mais tranquila.

Interessante notar que a crise era a mesma para todas as companhias. Mas serviço é serviço. E um pouco mais de postura, um pouco de treinamento, podem fazer de um limão uma limonada. Depois dessa, voltei a acreditar que serviço, no Brasil, tem solução.

quarta-feira, 7 de outubro de 2009

Servir o cliente é uma arte II

Interessante a reação ao post sobre o assunto. Alguns me comentaram via o próprio blog. Outros me mandaram e-mail. Mas, em todos os comentários, a mesma reação: indignação.

Histórias como a do hotel, existem várias. Eu mesmo conto outra, muito parecida. Fomos, o vice-presidente da Ogilvy e eu, num dos restaurantes mais estrelados de BH. Ele, um verdadeiro homem do mundo, acostumado a restaurantes finos de todas as partes, não se cansou de elogiar a comida a noite inteira. Realmente ótima. Porém, na hora de pagar a conta, foi informado que a gorjeta do garçon não poderia ser paga junto com o valor do jantar, no cartão de crédito.

Indignação total. Nas palavras dele “vocês conseguiram estragar uma experiência que beirava à perfeição por causa de uma mesquinharia”. Ele achou, com razão, que não querer antecipar a gorjeta, porque o cartão não reembolsa imediatamente a despesa, e com isso obrigar o consumidor a fazer dois pagamentos por um mesmo serviço, é um desserviço.

O problema desses dois exemplos é que eles me chamam a atenção para o perigo da rotina do dia a dia. Todos nós temos que nos preocupar com a perda da perspectiva que as tarefas diárias nos impõe. Você passa a ver os problemas não pelo ângulo do consumidor, mas pelo lado operacional. E o resolve com os olhos no umbigo.

O que seria, senão isso, exigir que as pessoas permaneçam na fila do check-out, mesmo existindo o check-out express, e o pagamento fracionado por um mesmo serviço no restaurante? O problema do não pagamento dos extras está resolvido. A separação da gorjeta também. Mas a que preço?

Se cada um de nós, profissionais, tivermos essa consciência, nossas empresas só tem a ganhar.

segunda-feira, 28 de setembro de 2009

Que falta faz uma concorrência

Passei o final de semana em Londrina. E foram necessários somente dois dias para ver que falta faz uma concorrência. Para quem não conhece, a cidade fica no norte do Paraná e cresceu junto com a fronteira agrícola do Brasil, no começo do século XX. Seus mais de 500 mil habitantes fazem da cidade um pólo econômico na região, mas algumas práticas comerciais não refletem a evolução da cidade:

- Num supermercado da cidade, o preço das bebidas geladas é mais caro do que a das na temperatura ambiente. Vi lata cerveja Skol pular de R$ 1,29 para R$ 1,49, num aumento de 16%. Em São Paulo, supermercadista que fizer isso está fora do mercado.

- Fui numa farmácia e me assustei com a conversa do balconista com a freguesa. Ele estava explicando que o preço varia de acordo com o dia da semana. Nos finais de semana, eles não dão desconto, o preço é cheio. Ou seja, passe mal de segunda a sexta, que é mais barato. E o pior, a cliente, que é de uma cidade dos arredores, saiu desanimada, mas conformada com a mecânica de preços. Morte certa essa política em grandes capitais.

Não posso dizer que sejam práticas erradas. Só posso comentar que são as primeiras que caem quando um competidor mais voraz se instala no mercado. O problema é que, no dia a dia, nos acostumamos com desservir nossos clientes e passamos a tratá-los com esse mesmo tipo de indiferença. Você já pensou em como vem administrando suas relações?

segunda-feira, 6 de julho de 2009

Archer, os Tellaritas e o atendimento ao consumidor

Este final de semana estava assistindo Jornada nas Estrelas – Enterprise. Para quem não sabe, sou viciado em ficção científica. E sempre me impressiono com o quanto é fácil analisar o dia a dia através desse tipo de ficção. Pois bem, estava assistindo Enterprise e um fato muito interessante me chamou a atenção. 

Capitão Archer  e Hoshi - EnterpriseO capitão Jonathan Archer começa o episódio Babel Ano Um brigando com sua oficial de comunicação, Hoshi Sato. Logo ele, que sempre foi o exemplo de como um líder deve ser e agir. Ele que nunca levanta a voz para seus subordinados. Pois os dois estão numa disputa verbal, onde não cabe espaço para a gentileza até que, num ato extremo de rudeza, o capitão resolve que o melhor lugar para a sua subalterna ficar é à deriva no espaço, esperando que outra nave a resgate.

Surpresa das surpresas, Hoshi começa a rir e diz que Archer está se saindo muito bem. Na verdade, os dois estão treinando para receber o embaixador tellarita. E Hoshi explica: Eles reclamam de tudo, mesmo quando não tem do que reclamar. E se a resposta não for a altura, eles vão se sentir ofendidos.

Capitão Archer e os Tellaritas - Enterprise

Isso me fez pensar: Quantas vezes a gente não ouve falar trate seu cliente como você gostaria de ser tratado? É considerada uma regra de ouro no comércio, mas pode ser que seja realmente ouro de tolo.

Provavelmente essa regra vem da educação católica que nossa cultura possui. Ouvimos desde a infância essa mesma afirmação, que tem origem na Bíblia. Talvez ela tenha razão, quando falamos das relações diárias. Mas quando estamos falando de relações comerciais, não podemos deixar de pensar que nem todos querem ser tratados da mesma forma.

A gente até já se acostumou com a idéia da customização, a personalização do produto de acordo com o gosto do cliente. Mas quantos de nós pensam que a segmentação e personalização devem chegar ao jeito de atender? Quer atendimento menos personalizado do que o telemarketing? A atendente sempre conversa com a gente como se fóssemos debilóides. Somos todos nivelados por baixo. Se formos aplicar a regra de ouro citada chegaremos a conclusão de que todas as atendentes são retardadas, razão pela qual nos tratam de forma tão estranha.

Interessantemente, os profissionais de comércio exterior já estão acostumados a buscar entender e tratar seus clientes internacionais do jeito como eles querem ser tratados. Eles já descobriram que a melhor forma de aumentar a chance de fechar um negócio é entender a forma de pensar e agir do cliente. E funcionar da mesma forma. Fica muito fácil entender isso quando estamos pensando numa relação Brasil-Coréia do Sul, já que os coreanos são negociadores incansáveis e cansativos. Quem busca comprar ou vender naquele país sabe que a paciência precisa ser exercitada ao extremo.

Voltando à Enterprise, lógico que o capitão Archer aprendeu a lição. Lógico que, mais uma vez, ele salvou a galáxia. E é essa a lição que eu aprendi: Nosso cliente tem desejos, cultura e percepções diferentes das nossas. Entender isso pode ser a diferença entre o sucesso e o fracasso.

sábado, 21 de março de 2009

Qualidade = expectativa menos realidade

Bill Watterson é, no meu ponto de vista, o melhor cartunista que o mundo já viu. É simplesmente hilariante ver os cartoons de Calvin, um menininho de seis anos, que encara a vida com a visão de…um menino de seis anos. Só isso já seria cômico, pois o mundo é cheio de surpresas desagradáveis. Os adultos aprendem a administrar a frustração diária, mas que não faz nenhum sentido, se vistos de uma forma mais ampla.

Nós, que trabalhamos com marketing, vivemos de elevar a expectativa dos nossos prováveis clientes, como forma de convencê-los a consumir nossos produtos. O maior problema é quando a entrega não corresponde a expectativa gerada. O exemplo abaixo vale para uma reflexão.

Calvin

quarta-feira, 28 de janeiro de 2009

Bom atendimento. Produto difícil de ter II

Almocei com uma amiga no Galeto’s. Para quem não conhece, essa é uma rede de restaurantes especializada em frango. Para azar deles, minha companhia de almoço foi, durante muito anos, diretora de uma rede concorrente e entende muito do riscado.

A análise dela foi rápida e precisa: em termos de custo-benefício, pedir meia porção é jogar dinheiro fora, já que que a diferença de custo não chega nem a 25%. Só que existem no mercado pessoas como eu que estão em busca de uma quantidade de comida que não as obrigue depois a ficar horas e horas correndo nas esteiras das academias. Que, portanto, pagam mais para terem menos.

Ao chegar o prato, mais uma avaliação certeira: para meio galeto faltou muito. O tamanho da porção estava mais para um quarto de galeto, pois nem coxa, nem asa o bichinho tinha. Aí veio a pergunta fatal: Isso é que é meio galeto? Como eu sou o viciado em frango, sendo cliente habitué do Galeto’s, só pude chegar a conclusão que a porção havia diminuído com o passar dos anos.

Aí, você se pergunta: e o bom atendimento do título, cadê? Pois bem, após pagarmos a conta minha amiga, com a experiência de quem sabe que opinião de consumidor deve ser sempre benvinda, questionou o gerente da loja sobre o tamanho da porção. E conseguiu me provar, sem querer, que existe ainda um abismo entre o atendimento mediano e o bom atendimento, pois o gerente gaguejou, gaguejou e não soube se explicar. Nem aproveitar o momento para direcionar a reclamação a um setor que pudesse administrá-la.

Muito se escreveu e se escreve que um cliente que reclama é melhor do que um cliente insatisfeito silencioso. O link acima é só um exemplo. Pois a reclamação é o cliente dizendo para nós, do marketing, que existe ainda uma esperança de segurá-lo, de mantê-lo fiel aos nossos produtos e serviços. Desperdiçar uma oportunidade como essa é abrir mão do bem mais precioso pelo qual toda empresa luta. Errou o Galeto’s. Se preocupe para que sua empresa não erre também.

Bom atendimento. Produto difícil de ter

Ontem, à noite, cheguei em casa e me deparei com a internet e tv a cabo sem sinal. Sem hesitar, liguei para a Central da Net. A atendente me fez, por longos quinze minutos, desligar e desligar todos os decodificadores e modems que possuo. Não adiantava o argumento que, se todos estavam sem sinal, era lógico de se supor que o problema era externo ao meu apartamento.

Graças a Deus a ligação caiu. Num segundo telefonema, o atendente prontamente me informou que todo o bairro estava sem sinal, devido a manutenção. Menos de um minuto, se tanto.

O caso é só um exemplo. Não nego que o atendimento Net, no geral, é sofrível, mesmo que o produto seja bom. Mas o ponto é a distância que existe entre um bom atendimento e a realidade desse tipo de serviço no Brasil. O decreto assinado por Lula, exigindo tempos e formatos no telemarketing, é uma prova de que o problema já chegou nas altas esferas.

Só que é óbvio que o problema é proposital. Tenho um amigo que sempre me lembra do custo positivo do desserviço. De acordo com sua teoria, o ganho resultante do mal atendimento é maior do que se os atendentes resolvessem os pedidos dos clientes de imediato. Ele sempre argumenta citando o quanto um adiamento do cancelamento de cartão de crédito, ou de uma linha de celular, tem poder de gerar receita adicional.

Prefiro pensar que não. Que esse formato de atendimento só nos lembra que ainda não temos um mercado realmente maduro. Pelo menos assim, tenho esperanças que no futuro as coisas sejam diferentes.

terça-feira, 13 de janeiro de 2009

Quando obrigação vira exceção II

Dia 06 postei sobre a Editora Objetiva e a rapidez com que me respondeu uma reclamação sobre um livro comprado com folhas faltantes. Acabei de receber o novo exemplar, com uma carta de desculpas. Realmente, essa empresa me impressionou.

sábado, 25 de outubro de 2008

Web checking. Para quê?

Eu semmpre fui fã do checking feito pela internet. Como eu viajo muito, pelo menos uma vez por semana, normalmente viajo sem mala, sem nada. Para isso, não existe nada mais cômodo do que fazer o cecking antecipado pela internet e poder chegar ao aeroporto de última hora.

Vim ontem para Porto Alegre. Via Gol. Fiz o web checking e sai para o aeroporto. Chegando lá, fui despachar minha mala. Até caberia no avião, mas é mais confortável ficar com as mãos vazias. Só levei susto.

Primeiro susto: a fila para o checking normal é a mesma para o despacho de malas se você já tem o checking feito. Segundo susto: Foram 45 minutos de fila, pois o serviço de chão da Gol é sofrível. Terceiro susto: Só não foi mais tempo porque a atendente da Gol teve que passar os passageiros do meu vôo na frente dos demais. Tudo errado.

Ficam duas conclusões: O web checking não serve para todas as ocasiões, somente para aquelas que não tenham a necessidade de se utilizar o serviço de chão da compania. Segundo, e mais importante, os diretores da Gol, como vários diretores de empresas, não usam seus próprios serviços.

quarta-feira, 8 de outubro de 2008

Cadê a concorrência

Liguei para adiar uma viagem. Fácil comprar. Difícil mudar. E minha paciência com essa empresa que já foi uma das melhores do Brasil vai se esvaindo... O que não adianta nada, pois no final não existem opções.

Esperando a Tam...

Fui atendido

Esperando a Tam

Ligo para a Tam. Esperando atendimento. Expectativa de espera? 25 minutos.

segunda-feira, 29 de setembro de 2008

Fábulas do Murilo - O cliente e o atendimento

Estava o atendimento carregando vários layouts quando se encontrou com o cliente. O cliente, tendo levado uma reprimenda de seu chefe, na mesma hora, olhou para o atendimento e disse:

- Como ousas trazer esses layouts fora do briefing para mim?

- Desculpe-me cliente, responde o atendimento, mas eu só vim buscar os layouts que já estavam com vocês.

Vendo que a primeira tentativa de colocar a culpa pelo seu mau humor na agência não surtiu efeito, o cliente continuou:

- Ah, mas esta é aquela campanha que vocês tiveram que recriar mais de cinco vezes, antes de começarem a entender o briefing!

- Não meu cliente, estes layouts são de sua outra agência, que vocês pediram para pegarmos para que as campanhas das duas agências tenham sinergia.

Sentindo-se cada vez mais acuado, o cliente tenta mais uma vez:

- Você não me engana. Sei que todos os briefings que lhe passo são sempre mal compreendidos. Lembro-me que no ano passado, nós perdemos o prazo para colocar a campanha de natal no ar porque você nunca entende o que eu digo.

- Mas meu cliente, eu fui contratado em janeiro deste ano!

- Então não importa. Foi o diretor da conta, o diretor de criação, o mídia. Algum de vocês é o culpado.

E dizendo isso, o cliente tirou a conta da agência.

 

MORAL: A razão do mais forte é sempre a melhor 


(postado originalmente no UOL)


sexta-feira, 11 de janeiro de 2008

Porque a Casas Bahia é a número um no varejo brasileiro

(este post foi originalmente publicado no Uol)

Dia 26 de dezembro. Minha esposa e eu vamos ao centro de Londrina comprar uma geladeira nova para minha sogra. É o presente de natal, atrasado. Resolvemos fazer uma coleta de preços antes de qualquer coisa e começamos pelo Ponto Frio. Entramos, fomos à sessão dos eletrodomésticos e ficamos comparando modelos e preços. No mínimo, 15 minutos de visita e nenhuma abordagem. Dois ou três vendedores se arrastavam pela loja, demonstrando claramente que estávamos um dia após o natal.

Na visita a Lojas Colombo, outra experiência esquisita. Mesma sensação de final de festa. Vimos todas as opções que a loja oferecia e não fomos abordados. Não estava achando estranho. Afinal, eu próprio estava me arrastando, num misto de tranqüilidade e preguiça.
Resolvemos entrar nas Casas Bahia. Confesso que tenho um preconceito contra essa rede. Ou melhor, tinha. Na porta, o movimento parecia de véspera de natal. A loja, bem iluminada, os vendedores esperando à porta, todos bem vestidos e uniformizados. Fomos atendidos pelo “Márcio”. Se ele trabalhou durante o feriado de natal, se fez hora extra, não deixava transparecer. Já nos atendeu dizendo “Bem vindos às Casas Bahia”. E durante uns 15 minutos nos explicou a diferença entre os vários modelos, as dimensões, o consumo, formas de pagamento, uma aula.

Só que eu sou mineiro. E queria ter certeza de que estaríamos fazendo uma boa compra. Saímos e fomos numa rede local a Dudony. Voltamos ao mundo da má vontade, do cansaço de depois do natal. Fora que o preço à vista das Casas Bahia ficava cada vez mais imbatível.

Ainda pesquisando, vimos uma loja do Magazine Luíza. Toda apagada, apesar de aberta. Não dava para entender. Aberta, mas passando uma sensação de abandono. Lá dentro, um bom atendimento, técnico, sem a mesma atenção e calor, mas bastante correto. O preço? O mesmo das Casas Bahia. E nenhuma disposição de negociar qualquer diferença, para fecharmos negócio.
Voltamos com minha sogra e tivemos outra aula. Enquanto esperávamos o Márcio terminar um atendimento, três outros vendedores nos abordaram. E sempre, ao saber que estávamos esperando um colega deles, falavam: Bem vindos a Casas Bahia.

Assisti o atendimento que estava ocorrendo. O Márcio explicava para um casal, claramente de baixa renda, as melhores formas de financiar um refrigerador. Era quase como um vendedor de carro vendendo um novo modelo para um possível cliente. Entrada, juros, número de prestações, tudo era explicado de uma forma muito didática e paciência.

Fechei negócio, aprendendo uma lição. O mais importante em varejo não é a propaganda, não é o produto. É acordar todos os dias como se aquele fosse o dia mais importante para se fazer negócios.

domingo, 24 de setembro de 2006

Maravilhosamente lotada; irritantemente perfeita; odiosamente incompetente.

Final de semana em São Paulo. Não adianta negar, passar uns dias em São Paulo é uma aula de pós-graduação em marketing. Em dois dias, você revê os conceitos do que é atender os desejos do cliente, ou simplesmente oferecer um péssimo produto, comprado pela falta de concorrência.

Começo minhas aventuras por uma ida à ShoeStock. Para quem não conhece, é um local que finge ser uma sapataria. Isso porque, na verdade, é o paraíso feminino. E o purgatório dos maridos. Em uma loja que não deve ter mais do que 500 m2, se espremem milhares de mulheres, à busca de um sapato, esse ícone moderno da feminilidade. Impressionante. A loja é self-service, as mulheres brigam para pegar os modelos expostos umas antes das outras, os bancos para se sentar e experimentar são tão poucos que muitas preferem o fazer em pé. Incrível, mas a falta de espaço, a confusão dos vários pés separados uns dos outros, as pessoas se esbarrando o tempo todo só reforçam um ponto: Aqui você encontra as melhores ofertas, pelos melhores preços. A idéia de ficar sem um modelo porque outra pessoa comprou antes, só faz as mulheres lutarem ainda mais pela posse dos modelos expostos nas gôndolas. Essa loja mostra que existe forma de se estar maravilhosamente lotada. E haja paciência dos maridos que esperam suas mulheres passarem pelos diversos rounds dessa luta greco-romana.

Para compensar, a pausa é na churrascaria Fogo de Chão. Não adianta. Só existe uma definição para essa casa. Perfeita. Irritantemente perfeita. Nem a espera é chata. Parece que eles pensam em tudo. Não existe acender o cigarro sem que alguém apareça com um isqueiro na mão. E você nem sabe como, mas os cinzeiros são trocados e estão sempre limpos na sua mesa. A mágica, ainda não aprendi, mas a sensação é de que não existe nenhum outro cliente na churrascaria, nenhuma outra mesa é mais importante do que a nossa. A gente acaba até comendo mais do que gostaria, pois os garçons aprendem em segundos quais são as suas preferências. Lógico que a mágica é ensinada para todos que quiserem, pelo dono. Treinamento, treinamento, treinamento. Cada um de seus funcionários passa por mais de 300 horas por ano. É, talvez, a maior carga que já ouvi falar. Mas compensa cada segundo que se passa dentro da churrascaria.

Termino com a constatação de que a falta de concorrência é um pecado. Parto para o aeroporto de Congonhas com duas horas de antecedência. Já sofrendo de antemão. Vou ter que enfrentar a famigerada Gol. A fila de embarque não se contém na área demarcada. Escorre pelos corredores. E o problema já é tão conhecido pela própria empresa que eles criaram uma fila especial chamada de... última chamada! São 45 minutos de arrastar sapatos e malas, para ser atendido faltando poucos minutos para o vôo. Graças a Deus! Lendo o bilhete emitido por eles, vejo que eles acreditam em conto da carochinha. Está lá escrito: Apresente-se com 30 minutos de antecedência no check-in, para vôos nacionais. Só se for para ir direto para a fila da última chamada. Santa falta de concorrência! A sensação que tenho é que eles vieram do setor de transporte rodoviário, acostumados com o tratamento de rodoviárias sempre lotadas, e trouxeram o jeito de raciocinar junto com eles. Importaram os problemas de um setor para o outro. E acham que isso é normal.

No final são três experiências que só me fazem perceber o quanto um cliente pode ou não se sentir amparado por pequenas iniciativas das empresas. Ser lotado não é negativo, como me mostram as experiências da ShoeStock e da Fogo de Chão. O problema não é esperar o atendimento, se espremer contra outros clientes, ou brigar para ser atendido. É sentir que a empresa não se importa contigo, tratando-o como mais um pacote para ser transportado.

Se todos tivesse a preocupação de se preocupar com o que vai na cabeça dos clientes...

 
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