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sexta-feira, 30 de outubro de 2009

Por que que táxi cobra bandeira 2?

Finalmente parece que as coisas começam a fazer sentido. Sempre me perguntei por que a gente paga mais caro por corridas de táxi nos dias e horários com menos movimento. Se existe uma coisa que é contra a lei da oferta e procura é essa tal de Bandeira 2.

Pois veja, segundo a lei, quanto mais procura um bem tem, maior será o preço que as pessoas estarão dispostas a pagar por ele. Exemplo? Você compra roupa de inverno no inverno, paga caro. Chega o verão, o preço despenca.

taximetro

Aí, você sai ao meio dia, no meio de uma chuva dos infernos, no centro da sua cidade, e paga preço normal pela corrida. Chega um feriado, meia noite, ruas vazias, você liga para o rádio táxi e paga mais caro. Quem foi que inventou isso?

Agora parece que alguém com juízo na cabeça resolveu tentar colocar ordem no galinheiro. Por enquanto nas noites de sexta e sábado. Mas já é um começo. A Secretaria Municipal de Transportes de São Paulo está implementando um desconto de 30% nas corridas dos táxis paulistanos nestes períodos, para estimular o uso dos mesmos. Fizeram uma pesquisa e descobriram que o povo apóia, diz que usaria mais os táxis se o preço fosse menor e os donos dos táxis também aprovam (pelo menos 45% deles). Só o Sindicato dos Taxistas foi contra.

Quero ver o resultado dessa iniciativa. Se der a lógica, veremos a comprovação de que a Lei da Oferta e Procura é lei não porque foi aprovada por políticos. Mas porque faz uma lógica dos diabos.

Leia também: Por que que táxi a gente paga por corrida?

segunda-feira, 3 de agosto de 2009

Ônibus fretado em SP e a lei da oferta e procura

Está a maior bagunça em São Paulo. A prefeitura proibiu os ônibus fretados de trafegarem no centro da cidade, criando um cinturão em seu entorno. Aqueles que saiam de seus bairros e eram entregues a poucos metros de seus escritórios passaram a depender de outros transportes públicos para completarem seus trajetos, seja o metrô, o trem urbano ou mesmo os ônibus regulares.

Interessante foi a reação dos passageiros. Depois de alguns meses com os ônibus rodando com faixas dizendo algo como “este ônibus tira 20 carros das ruas”, os usuários começaram a fazer movimentos contra a proibição, fechando as principais avenidas como forma a chamar a atenção da população em geral.

Não é minha intenção analisar quem está certo nessa disputa, mas olhar o mesmo problema sob o ângulo da economia e do marketing. Não existe forma de extinguir a lei da oferta e procura. E os fretados são mais uma manifestação dessa lei.

De um lado temos o transporte público. Podemos dizer que, por característica, ele é barato, demorado e sempre cheio nos horários de pico. Do outro temos o transporte privado. Porém, para compensar a velocidade e a disponibilidade, o custo de manter seu próprio automóvel torna proibitivo para a maior parte da população.

No meio dessas duas realidades existe espaço para várias soluções. E aí surge o problema. Os táxis são regulamentados pelo governo. Os ônibus fretados não.

Como mercado existem consumidores para os dois tipos de serviço. Para os táxis, aqueles que aceitam perder um pouco de velocidade e disponibilidade do carro próprio pelo custo menor desse tipo de transporte coletivo. Para os ônibus fretados, consumidores que aceitam pagar um pouco mais por ônibus menos lotados e mais rápidos.

Lógico que existem outras soluções, como nos mostrou a onda das vans piratas que faziam o mesmo trajeto dos ônibus municipais, cobrando o mesmo custo, mas em menos tempo. Ou os táxis-lotação de Belo Horizonte, que funcionam como  as vans, mas com carros normais e autorizados pela prefeitura da capital mineira em certos trechos específicos.

A demanda existe. O problema está na oferta não regularizada. Será que não seria lógico um melhor entendimento desse movimento dentro da população da cidade?

segunda-feira, 16 de fevereiro de 2009

Lei da Oferta e Procura

Um dos princípios básicos que a gente aprende nas primeiras aulas de qualquer curso de economia é a lei da oferta e procura. É muito simples: qualquer produto ou serviço tem seu preço definido por dois fatores - quantas pessoas estão procurando comprar determinado produto e quantos produtos estão disponíveis para serem comprados. Quanto mais gente atrás de algo, mais o preço sobe. Quanto mais oferta do mesmo bem, mais o preço cai. 

É so você se lembrar do show da Madona. Os dois primeiros shows tiveram ingressos vendidos pelos cambistas a R$ 30,00, muito inferior ao preço oficial de R$ 600,00, pela baixa procura. Um baita prejuízo para esses gentis representantes da Lei da Oferta e Procura. Em compensação, no último show, esses mesmos ingressos foram vendidos até por mil reais. Como era a última chance das pessoas, elas pagavam um extra para realizar o sonho de vê-la cantando.


Dois fatos me fizeram lembrar essa teoria. O primeiro, a notícia de que o número de pessoas que se formam para professor está diminuindo no Brasil. De acordo com o Censo da Educação Superior de 2007 do MEC, o número de pessoas que se formaram em cursos relacionados ao magistério caiu pelo segundo ano consecutivo. Contra 2006, a queda foi de 4,5%. Contra 2005, 9,3%. 

É lógico esse movimento. Como diria Lady Kate, sem glamour nem dinheiro, a profissão de professor vem definhando no Brasil, diferentemente de outras profissões direcionadas para necessidades básicas como medicina e odontologia. Talvez o fato de que você não viva sem saúde, mas que sobrevive sem educação, ajude a existir essa distorção.

Mas mais interessante é a notícia de que, na Inglaterra, a carreira de cocaína está mais barata do que uma jarra de chopp ou um copo de vinho. Enquanto que para os ingleses tomarem meio litro de chopp o custo médio beira 2,75 libras e o vinho 3,50 libras, a carreira de cocaína ficaria entre 2 e 4 libras. E olha que esse preço é sem impostos!

De acordo com o ministro do interior, James Brokenshire, a queda do preço indica o aumento da oferta de cocaína no país. Segundo um porta voz do Home Office, departamento do governo inglês responsável pelo combate às drogas, "a redução no preço pode ser associada com o aumento da concorrência ou redução da demanda". Esse cara deve ser economista.

A boa notícia, pelo menos para a educação brasileira, é que o mercado se auto regulamenta. A queda do número de formandos em magistério resultará numa falta de professores para lecionar. Essa falta irá forçar as escolas a pagarem mais pelos profissionais disponíveis. O aumento dos salários fará com que mais pessoas queiram aprender a dar aulas. Isso acarretará em mais professores disponíveis no mercado. E por aí vai...Ao longo do tempo, o mercado se auto regulamentará. Quem viver, verá.

 
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