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quinta-feira, 23 de abril de 2009

Igreja Evangélica, a Católica e a música

Eu não sou evangélico. Mas é impressionante o marketing das diversas igrejas e templos que se proliferam cada vez mais no Brasil. Contra uma postura conservadora, eles se posicionam de uma forma moderna e atualizada. Não é a tôa que vem crescendo os números de fiéis que trocam de religião a favor das novas versões cristãs. Lógica das lógicas, o católico é o principal cliente em potencial, pois além de serem em maior número já são culturalmente formados e creem em Jesus Cristo e tem na Bíblia sua principal fonte de fé.

Edir Macedo, o líder máximo da Igreja Universal, vem sempre se posicionando, inclusive, contrário a todas as posições de Bento XVI. O Papa se declarou contra o uso das camisinhas? O Bispo inaugura seus novos tempos distribuindo-as e declarando “Nós não podemos evitar que as pessoas tenham relações sexuais. Distribuindo camisinhas, estamos fazendo um trabalho social.” O Sumo Pontífice diz que é errado praticar o aborto? O Evengélico coloca seus meio de comunicação para fazer campanha a favor da sua legalização. Se fossem duas empresas, estaríamos assistindo uma guerra de mercado pela conquista de consumidores. E é assim que as novas religiões vem considerando seus fiéis em potencial.

Entre 1994 e 2007, a Igreja Católica caiu de uma participação de 75% para 64% de “participação de mercado”, segundo dados do DataFolha. Nesse mesmo período, os evangélicos subiram de 14% para 22%. O deputado Pastor Cleiton Collins (PSC) estima em mais de 45 milhões de pessoas o número de evangélicos no Brasil, número um pouco maior do que a projeção do DataFolha. Dá para ignorar um mercado desse tamanho? Hoje, o mercado Gospel já movimenta R$ 1 bilhão por ano, crescendo 8% por ano. É bom lembrar que o Brasil, como um todo, chegou a crescimentos de 5%. E não adianta nos enganarmos. Eles consomem os produtos que nós colocamos no mercado e são um segmento que não pode ser ignorado.

A música já o descobriu e é cada vez maior o número de cantores dirigidos para essa faixa de público. E aqui reside outra modernidade dessas igrejas: os ritmos são os mais variados. Para seu conhecimento, selecionei três ritmos diferentes. Você poderá ouvir um Rock pesado, uma balada e um Funk. Enquanto isso a Igreja Católica ataca somente de Padre Marcelo e seu ritmo de aleluia.

É. A guerra já está quase vencida…

Rock pesado – Metal Nobre

Balada – Nova Voz

Funk - Cabeção

Post anterior Igreja e Mercado – Clique aqui : http://murilomoreno.blogspot.com/2006/07/igreja-e-mercado.html

sábado, 15 de julho de 2006

Igreja e mercado

Muito já se escreveu sobre a igreja católica como a mais antiga empresa do mundo. E muito já se comparou o seu comportamento com o moderno marketing. Não quero ser repetitivo. Mas creio que podemos ver um paralelo entre o que vem ocorrendo entre a igreja católica e a igreja evangélica e a guerra mercadológica entre os hipermercados e supermercados de bairro.

Não preciso dizer que os hipermercados vêm perdendo a corrida contra os supermercados de bairro aqui no Brasil. Quando a inflação brasileira beirava números estratosféricos e forçava o consumidor a concentrar suas compras em uma única visita mensal, os hipermercados prosperavam. Com a queda dessa mesma inflação a valores abaixo de 1% ao mês, os consumidores mudaram de comportamento, passando a não estocar alimentos e produtos de limpeza, que podiam ser comprados facilmente logo ali na esquina.

Resultado dessa mudança de foco, o Carrefour, antigo líder do segmento no Brasil, viu sua liderança mudar de mãos, para o grupo Pão de Açúcar, que possuía uma rede de supermercados bem montada. Toda a rede Carrefour estava localizada a grandes distâncias do centro das cidades, na periferia, onde os custos de imóveis era relativamente baixo. O Pão de Açúcar tinha seus hipermercados, mas nunca havia desistido do supermercado de vizinhança. Eram lojas para as emergências, com ticket médio baixo, já que o grosso das compras era defendido naquela visita única mensal.

Aliado a isso, os hipermercados eram estruturados para recebem centenas de pessoas ao mesmo tempo, possuindo por si só força suficiente para se tornarem centros comerciais. Os supermercados, por sua vez, buscavam o nicho da conveniência, muitas das vezes com um mix de produtos diferenciado para cada uma das vizinhanças que os continham.

Aí vemos a briga entre as duas igrejas. A católica, por um lado, é o supermercado espiritual. A evangélica, o hipermercado. Por razões diferentes do que ocorreu com Carrefour e Pão de Açúcar, cada uma está buscando um tipo de consumidor.

O católico vive um momento em que a inflação dele é baixa: não existem mais grandes culpas entre os católicos. Eles não temem mais o diabo, o inferno. Não tem grandes pesadelos com os pecados que possam estar cometendo. Por outro lado, a “inflação” dos evangélicos é enorme. O discurso dos pastores fala com veemência de diabos, pecados e inferno, como a católica já fizera durante anos e anos passados.

Aqui, vemos um efeito invertido. O católico, com sua baixa culpa, não se sente obrigado a uma presença constante aos templos de sua religião. Poucos contatos aplacam sua necessidade de contato com a religião. Já o evangélico necessita comprar muita salvação, com visitas semanais às igrejas e muita oração.

Quando pensamos em localização e porte, mais uma vez vemos o efeito de mercado se manifestando. A igreja evangélica constrói, cada vez mais, imensos templos, para abrigar o maior número de consumidores ao mesmo tempo. Seu discurso é geral, buscando falar com todos os presentes ao mesmo tempo. E, em termos de localização, procuram áreas centrais, pois a sua atração faz com que os seus seguidores desloquem-se da periferia para o centro em busca de perdão.

Já a igreja católica tem que prover conveniência aos seus seguidores. Como o consumo deles é em doses homeopáticas, o conforto deve ser uma das ferramentas para atrair mais seus clientes. Por isso, a decisão é por igrejas de menor porte, sempre o mais perto dos seus fiéis. Com o baixo deslocamento, é mais fácil ir e vir a uma das sessões de consumo religioso. Somado a isso, o discurso é adaptado ao púbico local. Os padres conseguem focar seus sermões ao perfil do público presente. Você não vê um padre de uma zona rica falando de reforma agrária. Em compensação, esse discurso é possível em favelas ou zonas rurais.

Quais são os próximos passos no desenvolvimento do mercado religioso? Com certeza, com o crescimento da igreja evangélica, passaremos a ter lojas de conveniência dessa religião: pequenas igrejas, cada vez mais locais, com discursos específicos. Para a católica podemos prever um futuro incerto. Ela é uma empresa que perdeu o foco no cliente e não sabe para onde vai, ainda mais sendo tão fustigava pelo concorrente. De duas uma: ou se reinventa, e passa a oferecer um novo e melhor produto para seus consumidores. Ou sua morte virá com o tempo, como tantos outros produtos.

quinta-feira, 13 de julho de 2006

Igrejas e supermercados

Nunca havia pensado, mas hoje a idéia me veio. As igrejas evangélicas estão construindo, cada vez mais, maiores prédios, sempre nos centros das cidades. As católicas, pequenas igrejas, nos bairros. Portanto, a evagélica está para os hipermercados, assim como as católicas estão para os supermercados de bairro. A razão para a escolha de uma ou de outra é idêntica.

 
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