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sexta-feira, 19 de junho de 2009

Pirataria se torna legal

Foi um belo tiro pela culatra. No começo deste ano a indústria fonográfica conseguiu vencer nos tribunais a ação contra o Pirate Bay, um dos principais sites de torrents do mundo. Seus quatro fundadores foram condenados a a um ano de prisão mais multa de alguns milhões de dólares. Agora a pirataria conseguiu uma revanche em cima dos seus algozes. O Partido Pirata, criado na Suécia para representar todos que questionam os direitos autorais, conseguiu eleger dois dos 18 representantes suecos no Parlamento Europeu. O jogo está empatado.

Piratpartiet

O que chama a atenção nessa eleição é que, pela primeira vez na história, estamos assistindo a legalização da pirataria. Ela passa a ter representantes legalmente eleitos. Significa dizer que as pessoas estão levantando suas vozes contra o atual conceito do que representa direitos autorais.

Para dizer a verdade, não tenho um ponto de vista definitivo sobre o assunto. Creio que o que existe hoje não vai durar por muito mais tempo. Mas tenho certeza de que tentar barrar a mudança, como a indústria fonográfica vem tentando fazer, é a pior solução possível. É como tentar barrar um rio com as mãos. Um pouco de água você segura. Mas chega uma hora que você morre afogado.

Piratas do Caribe

O mais interessante de tudo é ver como a tecnologia vem mudando os conceitos que existiram por tantos anos. E vem tornando uma palavra que por anos representou a criminalidade num tema cool.

E viva os Piratas do Caribe!

Leia também:

O julgamento do ano

PirateBay. O julgamento do ano II

Internet: Adeus ao copyright

Copyright II

terça-feira, 21 de abril de 2009

Google e os jornais. A guerra está apenas começando

Corro o risco de parecer estar me repetindo, mas volto ao tema dos direitos autorais. Dessa vez para refletir a discussão do momento entre os jornais americanos e o Google. Na semana passada, esperava-se um confronto entre as partes numa convenção dos jornais americanos, durante palestra do presidente do Google. Não houve. E isso porque a Associated Press anunciou, via discurso onde não citou diretamente o buscador, que iria exigir dos sites de busca um pagamento pelo uso de suas matérias e dos jornais associados.

A questão novamente é quem lucra ou não com o trabalho. Os jornais alegam que eles mantem as estruturas de jornalistas e de seus próprios sites, mas que os buscadores lucram com as propagandas colocadas em suas páginas, sem precisar montar uma estrutura tão ampla. Mas não podem abrir mão do fluxo de novos leitores que os buscadores enviam para eles, sob o risco de verem diminuir sensivelmente o número de leitores virtuais.

Vejo pelo meu próprio exemplo. Leio muitas matérias do New York Times, do The Guardian, da Forbes e da Times, mas minha porta de entrada é sempre as minhas buscas. Se fosse tentar pesquisar os vários veículos de comunicação, minha leitura se limitaria aos poucos que me lembrasse, ou à minha paciência em ficar abrindo diversos sites à busca dos assuntos de meu interesse.

Google News Timeline

Em meio a essa discussão, o Google lançou ontem um novo serviço, o Google News Timeline, que vai além do Google News, e permite numa só tela que o internauta tenha uma visão histórica das notícias sobre os assuntos que esteja pesquisando. Seja semanal, mensal, anual ou por décadas. Um serviço que amplia ainda mais a vantagem que eles tem sobre os jornais como endereço inicial de busca de notícias e, consequentemente, aumentando a possibilidade de lucrar com publicidade.

Essa discussão se une àquela dos copyrights de músicas e filmes, que acaba de ter um novo round vencido pelas gravadoras, durante o julgamento do PirateBay. Mas eu continuo acreditando que a solução virá pela criação de uma nova forma de se cobrar os direitos autorais, deixando de ser algo individual e passando a ser algo próximo a uma assinatura de serviço.

O tempo irá criar uma nova solução. É só esperar.

sexta-feira, 17 de abril de 2009

PirateBay. O julgamento do ano II

Pirate Bay Logo

Saiu o resultado do julgamento por infração dos direitos autorais pelo site Piratebay. Os quatro fundadores foram julgados culpados por violação de direitos autorais e foram condenados a um ano de prisão mais uma multa de alguns milhões de dólares. O mais interessante é que a indústria fonográfica não lutou na corte contra o site, mas sim contra a pessoa física dos quatro sócios. Além disso, não questionaram o direito autoral diretamente, mas a facilitação que eles proporcionaram de que outras pessoas quebrassem os copyrights de músicas, filmes e qualquer outro arquivo transmitido eletronicamente.

(Se você não viu o post anterior, clique aqui)

O caso ainda vai ter apelação, mas devemos assistir o mesmo efeito já visto quando da condenação do fundador do Napster. O site sai do ar, a indústria fonográfica fica feliz achando que resolveu o problema, passam-se alguns meses ou anos e aparece um novo formato de distribuição eletrônica que traz novamente à tona a questão dos direitos autorais na era virtual.

Enquanto existirem peneiras, muito sol ainda vai ser tampado…

sexta-feira, 27 de março de 2009

Playboy e BBB. Sexo e reality show, 24h por dia

Duas coisas me chamaram a atenção esta semana em relação à internet.  Primeiro, a Playboy americana anunciou o lançamento do seu novo site, a playboyarchive.com, com todo o conteúdo de suas revistas nos últimos 53 anos. Segundo, descobri alguns sites que transmitem o BBB 24 horas por dia, gratuitamente, o diariobbb e o Justintv. Existem outros, mas com o diariobbb você consegue ver todas as câmeras instaladas e escolher quem você irá acompanhar, como no globo.com, sem pagar a assinatura.

Playboy libera seu conteúdo na internet

O que me impressionou em duas coisas tão corriqueiras? O velho tema de sempre: como a internet vem mudando a forma de controlar os direitos autorais. Ou pior, rompendo com esse conceito.

A Playboy já perdeu a luta. Não precisa ser conhecedor da internet para, com dois clicks, conseguir ver qualquer das modelos que aparecem em seus exemplares. Dezenas de sites tem as páginas escaneadas e expostas. Nenhum deles está pagando mais do que o preço de capa da revista na banca. A Playboy disponibilizar seu conteúdo somente permite à editora entrar de novo na luta. Com mais munição, mas bastante atrasada.

No caso do BBB, de nada adianta o enorme zelo da toda poderosa Globo em tentar controlar o incontrolável. A internet, mais do que democrática, é anárquica. O problema é que essa liberdade excessiva não gera ganho. Ao contrário. Os sites que estão transmitindo o BBB também só pagam o custo da assinatura da globo.com. Transmitem gratuitamente pelo prazer de gerarem tráfego. Que é dinheiro não faturado pela Vênus Platinada.

Esses dois exemplos se somam aos anteriores já comentados aqui no blog: Internet: Adeus ao copyright, Copyright II. E só reforça que o caminho da comunicação passa pela discussão profunda de como assegurar o direito autoral e ganhar dinheiro com um novo meio de comunicação em que o controle é impossível. Esse é o nosso próximo desafio.

segunda-feira, 2 de março de 2009

O julgamento do ano

200px-The_Pirate_Bay

Se você mexe com marketing e não sabe nada sobre o julgamento do PirateBay, você está precisando se informar mais. Não. Não tem nada a ver com os Piratas do Caribe, série de filmes da Disney. Trata-se do julgamento do maior site de bittorrents do mundo e pode definir o futuro da indústria fonográfica e dos famosos downloads de arquivos digitais.

Se formos fundo na história, a guerra entre a indústria e os sites que compartilham arquivos de mp3 e outros já dura quase 10 anos. Em 1999, surgia o pioneiro Napster, primeiro programa que fazia comaprtilhamento de arquivos. Seus dois anos de funcionamento foram o suficiente para gerar um mal estar generalizado entre as gravadoras e músicos, que culminou numa ação judicial patrocinada pela Recording Industry Association of America (RIAA).

Se eles foram obrigados a sair do ar,  pois a transferência era feita por inteiro de computador para computador, a partir da invenção do BitTorrent ficou mais difícil a comprovação da pirataria. Como ele parte a música em diversas frações de 256k e os reúne aleatoriamente no computador de quem está realizando o download, fica cada vez mais difícil comprovar e seguir o processo.

Torrentcomp_small

Fazendo uma comparação, o Napster pegava o carro de João e transferia para Pedro. No final, João e Pedro tinham dois carros iguais. O Piratebay transfere de diversos proprietários partes do carro: o volante do João, o capô de Cláudio, o motor da Tereza, etc. No final, todo mundo tem seu carro e o Pedro também. Isso vem deixando os executivos do mercado em povorosa.

O julgamento tem dois pontos importantíssimos para nós que trabalhamos com marketing:

Primeiro – A discussão do direito autoral, que ainda está no começo e deve dar ainda muito pano para manga. Já falei sobre isso e volto a repetir: Direito autoral é uma realidade relativamente nova. Surgiu com a imprensa de Guttemberg, e se desenvolveu com a invenção dos aparelhos de cinema e de reprodução de música, no século XIX. Você já imaginou como Willian Shakespeare ou Ludwig van Beethoven faziam para receber direitos autorais nas suas respectivas épocas?

Se os formatos de divulgação do século XX, papel, discos e fitas cassetes, dificultavam a cópia dos materiais pura e simplesmente, a invenção do computador e da internet jogou por baixo essas limitações. E as pessoas não vão deixar de copiar os materiais que se interessam somente porque isso é ilegal.  Para mim, a indústria fonográfica sabe claramente disso e está tentando ganhar tempo processando todas as iniciativas que aparecem enquanto não criam uma solução que lhes permita controlar o processo.

Segundo – A mudança de paradigma do que é um julgamento e como ele pode ser acompanhado. Os quatro sócios do Piratebay tem uma visão do mundo bastante contemporânea. E aplicam essa visão, não somente no site, mas também no próprio julgamento. Exigiram, e conseguiram, que ele fosse transmitido pela internet (o problema é que ele é em sueco!). Além disso, é possível acompanhá-lo pelo Twitter, com alguns comentários em sueco, outros em inglês. É o que eles chamaram de Spectrial, um misto das palavras espetáculo (spectacle) com julgamento (trial). Esse mix de meios, que aumenta o impacto a favor de um movimento, precisa ser bem entendido, pois cada vez mais afetará as marcas para as quais trabalhamos.

Agora é esperar o resultado do julgamento. E torcer para que a gente possa utilizar o aprendizado desse movimento a nosso favor.

quarta-feira, 25 de fevereiro de 2009

A reinvenção de uma indústria

Ontem, aproveitei o carnaval para ir conhecer a primeira sala Imax do Brasil. O filme não é novo, Batman – o cavaleiro das trevas, escolhido exatamente por ter algumas cenas gravadas nesse novo formato.

imax

O que me impressionou é a corrida da indústria cinematográfica para se reinventar. Por todos os lados que se olhe, a pressão contra as salas de projeção é enorme. Só que, por mais incrível que pareça, isso está fazendo um bem enorme a ela.

Não vamos nem nos ater ao Brasil. Temos poucas estatísticas por aqui, comparado aos Estados Unidos, além do pouco que existe ser trancafiado a sete chaves. Olhemos para o mercado americano, que além de medir tudo, ainda é a vanguarda nesse quesito.

A vida dos espectadores vem ficando cada vez mais fácil, segurando-os cada vez mais dentro de casa. A qualidade de imagem é cada vez mas assustadora, com telas de plasma ou LCD, vídeos gravados em Blue Ray e os sons surrounds dos home theaters cada vez mais sofisticados. É de se esperar que aqueles que investem nesse tipo de equipamento sejam os primeiros a abandonar as velhas salas de cinema.

Quadro MPAA

Ao contrário. Aqueles que tem 5 ou mais inovações tecnológicas em casa vão, em média, 11,4 vezes por ano ao cinema, contra 7,4 dos que tem 4 ou menos, de acordo com a Motion Picture Association of America.

Ao mesmo tempo, decresce o tamanho das salas e multiplica-se o número de salas multiplex ou megaplex onde, num mesmo espaço de uma grande sala de cinema, proliferam mais de 8 salas. Em 2007, inclusive, as megaplex, com 16 ou mais salas foram as únicas a crescerem no mercado americano.

O cadastramento dos consumidores de cinema é outra das iniciativas da indústria, já comentado aqui em outro post. O lançamento do Hulu, também já comentado, é mais uma tentativa dos barões da indústria.

O que se percebe é que eles estão buscando desesperadamente uma solução que evite ocorrer com eles o que ocorreu na indústria fonográfica, em que as trocas de arquivos mp3 de forma pirata fez desaparecer um mercado altamente rentável.

É uma mudança em andamento. Vamos ver o que acontece e seguir comentando.

quinta-feira, 30 de outubro de 2008

Copyright II

Eu levantei a bola, outro dia, da ameaça que a tecnologia atual vem fazendo aos direitos autorais. Lógico que, numa análise histórica, a idéia de direitos autorais é uma realidade relativamente nova. Até podemos dizer que as pessoas ganhavam dinheiro com suas idéias. Mas a profanação de seus direitos não ocorria muito mais por uma dificuldade de se fazer cópias do que por respeito às idéias alheias. A primeira pirataria conhecida oficialmente ocorreu nos mosteiros da idade média, quando os padres passavam dias e dias copiando livros e bíblias. Não lembro de ter ouvido falar que eles pagavam aos autores, nem que eram presos por cópias falsas.

A informatização e a internet vêm revolucionando essa prática. Ainda lembro das discussões em torno da fita cassete, quando ela apareceu. Não que eu seja tão velho, mas está documentado para qualquer vque queira pesquisar um pouco o assunto. O grande embate era que o gravador de fitas permitiria a qualquer um copiar músicas e não pagar os direitos aos cantores e compositores. A diferença é que era um porre fazer a tal das cópias. Se você queria uma fita de uma hora, se preparasse para ficar duas horas em frente aos aparelhos. Haja paciência! Hoje, você copia um cd de horas de música em poucos minutos.

Na contramão de todos que tentam segurar o inevitável existe uma ONG que prega o direito livre, a Creative Commons. http://creativecommons.org/ Não é que ela pregue a falta de copyrights. Sua perspectiva é diferente: sugerir aos artistas que liberem suas criações para que elas sirvam de base para outros artistas. É uma forma inteligente de ver a questão.

No Brasil, o primeiro artista a liberar os direitos para outros autores foi ninguém menos do que Gilberto Gil. Ele publicou, há alguns anos, uma música com direitos completamente abertos. Não é atôa que ele, sexagenário, é mais jovem do que alguns grupos de adolescentes que existem por aí.

Vale a pena gastar um tempo pensando no que essa mudança irá afetar a nossa indústria de artes e publicidade. Pois, pior, é tentar tapar o sol com a peneira.
 
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