quarta-feira, 22 de abril de 2009

Honda e o admirável mundo novo

Enquanto a General Motors luta para se salvar, a Honda vem cada vez mais ampliando suas fronteiras e deixando de ser uma produtora de veículos para se classificar como uma produtora de soluções de locomoção. Como já dizia Theodore Levitt, no seu livro Imaginação de Marketing, um dos principais aspectos para se diferenciar e prosperar é ampliar seu foco de atuação. E locomoção é maior do que o mercado automotivo.

Depois de ter entrado na aviação, agora é a vez de começar a revolucionar o mercado direcionado aos paraplégicos, com o lançamento de dois equipamentos que, se no momento só facilitam a vida de não portadores de deficiência, não demora muito vão permitir que os deficientes voltem a se locomover livremente.

Bodyweight Support Assist

O primeiro chama-se Bodyweight Support Assist, algo como Assistente para suporte do peso do corpo. Seu principal papel é melhorar a sensação física daqueles que precisam ficar horas em pé. Não por acaso, está sendo testado nas fábricas da Honda, no Japão.

 

Stride Management Assist

O segundo, Stride Management Assist, ou Gerenciamento do caminhar assistido, busca facilitar o movimento dos passos e é dirigido principalmente para pessoas idosas e seus claudicantes caminhares.

As duas invenções são resultados de mais de 20 anos de pesquisa. Quando, em 1986, a Honda apresentou o primeiro protótipo de seus robôs, o E0, o projeto era pesado, caro e desengonçado.

Vinte e três anos depois, a experiência que desenvolveu o Asimo começa a dar frutos para a empresa japonesa. Lógico que o robô ainda não tem sentimentos, como o comercial americano abaixo nos faz pensar. Mas as soluções desenvolvidas para que ele funcione começam a se aplicadas na melhoria da vida diária.

Não tenho dúvidas de que o próximo passo será reunir as soluções encontradas pela Honda com aquelas apresentadas pela Hitachi no já distante ano de 2007. Para quem não se lembra, a empresa japonesa de tecnologia demonstrou como os impulsos elétricos poderiam ser utilizados para que portadores de deficiência física pudessem comandar controles remotos de TV’s. Juntando um mais um temos três.

Realmente, a vida vem se tornando cada vez mais fácil.

terça-feira, 21 de abril de 2009

Google e os jornais. A guerra está apenas começando

Corro o risco de parecer estar me repetindo, mas volto ao tema dos direitos autorais. Dessa vez para refletir a discussão do momento entre os jornais americanos e o Google. Na semana passada, esperava-se um confronto entre as partes numa convenção dos jornais americanos, durante palestra do presidente do Google. Não houve. E isso porque a Associated Press anunciou, via discurso onde não citou diretamente o buscador, que iria exigir dos sites de busca um pagamento pelo uso de suas matérias e dos jornais associados.

A questão novamente é quem lucra ou não com o trabalho. Os jornais alegam que eles mantem as estruturas de jornalistas e de seus próprios sites, mas que os buscadores lucram com as propagandas colocadas em suas páginas, sem precisar montar uma estrutura tão ampla. Mas não podem abrir mão do fluxo de novos leitores que os buscadores enviam para eles, sob o risco de verem diminuir sensivelmente o número de leitores virtuais.

Vejo pelo meu próprio exemplo. Leio muitas matérias do New York Times, do The Guardian, da Forbes e da Times, mas minha porta de entrada é sempre as minhas buscas. Se fosse tentar pesquisar os vários veículos de comunicação, minha leitura se limitaria aos poucos que me lembrasse, ou à minha paciência em ficar abrindo diversos sites à busca dos assuntos de meu interesse.

Google News Timeline

Em meio a essa discussão, o Google lançou ontem um novo serviço, o Google News Timeline, que vai além do Google News, e permite numa só tela que o internauta tenha uma visão histórica das notícias sobre os assuntos que esteja pesquisando. Seja semanal, mensal, anual ou por décadas. Um serviço que amplia ainda mais a vantagem que eles tem sobre os jornais como endereço inicial de busca de notícias e, consequentemente, aumentando a possibilidade de lucrar com publicidade.

Essa discussão se une àquela dos copyrights de músicas e filmes, que acaba de ter um novo round vencido pelas gravadoras, durante o julgamento do PirateBay. Mas eu continuo acreditando que a solução virá pela criação de uma nova forma de se cobrar os direitos autorais, deixando de ser algo individual e passando a ser algo próximo a uma assinatura de serviço.

O tempo irá criar uma nova solução. É só esperar.

domingo, 19 de abril de 2009

Samba e Rock and Roll. Essa mistura dá Sambô

Este post é para deixar leve o feriado prolongado. Ouvi outro dia, no Pânico da Jovem Pan, este grupo, o Sambô. Misturam Rock and Roll com samba e conseguem milagres. Ou seja, comprovam a idéia de que criatividade é olhar para aquilo que todo mundo vê todo dia e achar algo de novo.

Se ainda não estouraram, falta só um empurrãozinho da mídia. Se você gosta de rock, vale a pena clicar e ouvir. Se gosta de samba, também. Divirta-se.

sábado, 18 de abril de 2009

Exército brasileiro: A arte de comunicar produtos difíceis.

Sou fã confesso do Exército Brasileiro. Quando vejo qualquer assunto que diz respeito a essa força armada não consigo pensar em guerra e morte, como seria de se esperar. Sempre associo nossa armada a serviços de utilidade pública e à defesa. Diferentemente de quando penso no exército americano, que me traz imagens belicosas.

Não tenho dúvidas que essa imagem é construída de forma planejada e inteligente. As ações do exército são divulgadas pelos meios de comunicação sempre de uma forma positiva, mostrando o lado humanitário de suas ações, seja a participação na Missão de paz no Haiti, na tomada das favelas do Rio quando dos problemas com traficantes ou na reconstrução de estradas. Até rádio eles tem, transmitindo em Brasília e através da internet.

Revista Recrutinha, do Exército Brasileiro

Hoje fui impactado por mais uma ação de marketing do Exército. Como amanhã, dia 19 de abril, é o Dia do Exército, eles estão durante toda essa semana fazendo ações junto à comunidade em todo o país. Em São Paulo, montaram no Parque Villa Lobos uma exposição de equipamentos de guerra, onde as pessoas podem chegar perto, tocar e conversar sobre suas curiosidades. Paralelo, existe Caça ao Tesouro e curso de camuflagem para crianças, vários exames de saúde para a população em geral e até mesmo apresentação da Banda do Exército.

Certos produtos são muito difíceis de se trabalhar, pois eles lembram as pessoas os problemas que elas podem enfrentar na vida. Defesa nacional é um desses. Pensar em sabonete, automóvel ou sanduíche é relativamente fácil. Tente um pequeno exercício: Se fosse você responsável pela criação da imagem do Exército, como você planejaria suas ações? Entendeu porque sou fã deles?

sexta-feira, 17 de abril de 2009

PirateBay. O julgamento do ano II

Pirate Bay Logo

Saiu o resultado do julgamento por infração dos direitos autorais pelo site Piratebay. Os quatro fundadores foram julgados culpados por violação de direitos autorais e foram condenados a um ano de prisão mais uma multa de alguns milhões de dólares. O mais interessante é que a indústria fonográfica não lutou na corte contra o site, mas sim contra a pessoa física dos quatro sócios. Além disso, não questionaram o direito autoral diretamente, mas a facilitação que eles proporcionaram de que outras pessoas quebrassem os copyrights de músicas, filmes e qualquer outro arquivo transmitido eletronicamente.

(Se você não viu o post anterior, clique aqui)

O caso ainda vai ter apelação, mas devemos assistir o mesmo efeito já visto quando da condenação do fundador do Napster. O site sai do ar, a indústria fonográfica fica feliz achando que resolveu o problema, passam-se alguns meses ou anos e aparece um novo formato de distribuição eletrônica que traz novamente à tona a questão dos direitos autorais na era virtual.

Enquanto existirem peneiras, muito sol ainda vai ser tampado…

quinta-feira, 16 de abril de 2009

Convergência analógico e digital. O novo livro já chegou

As verdadeiras revoluções na forma como nos relacionamos com o mundo ocorrem silenciosamente. Você precisa fazer um esforço para lembrar como o mundo era antes do computador, do celular, da internet. Essas tecnologias começam lentamente e, quando você percebe, é impossível não estar completamente envolvido com elas. 

Confesso que venho acompanhando atentamente a evolução do livro digital, o e-book, e o lançamento dos diversos equipamentos de leitura eletrônica, como o Kindle, da Amazon, ou o Sony Reader, da Sony. Já brinquei com um e fiquei maravilhado. Como bom mineiro, não comprei, esperando o momento em que existirão títulos suficientes em português para justificar o investimento. Esse, inclusive, é o principal motivo pelo qual os e-readers em geral ainda não decolaram: falta a criação do iPhone dos livros eletrônicos, aquele equipamento que revolucione para sempre o jeito de se ler livros no mundo.

Porém me chamou a atenção a evolução do livro de papel num mundo digital e como certos editores e livreiros vem fazendo uma transição entre os dois mundos de uma forma muito suave e silenciosa. Se formos pensar bem, o problema dos livros é similar ao que os jornais vem enfrentando. As notícias nos diários chegam às bancas já velhas, pois não dá para competir com a atualização imediata do meio digital. Podemos dizer o mesmo de livros técnicos, onde certos assuntos são rapidamente deixados para trás.

Livro A Lógica do Mercado de Ações

Qualquer livro que tenha sido publicado sobre mercado de ações em agosto do ano passado já está completamente defasado. Quem seria doido o suficiente para investir de acordo com suas dicas, considerando-se a crise ocorrida em outubro de 2008?

Para sanar esse problema, algumas editoras começam a atualizar os assuntos abordados em páginas especiais na internet. E o que andei vendo esses dias me provou que existe sempre espaço para inovação. As editoras de livros de línguas estão fundindo os dois formatos em um só. Quase não existe uma separação entre o livro físico e o eletrônico. Você é enviado de um meio para o outro constantemente. Lógico que para esse tipo de publicação era uma evolução esperada e que resolve alguns problemas logísticos. Se no passado a substituição de fitas cassete por CD’s e DVD’s já havia facilitado a distribuição, a internet contribuiu mais ainda para facilitar a venda desse tipo de leitura.  E abriu um novo canal para a comercialização dos produtos. Para se ter um sabor das possibilidades que esses livreiros estão gerando, visite o BusinessEnglishPod.

Agora, se você acredita que isso só se aplica a livros técnicos, não fique assim tão certo. Imagine o que poderia fazer a Rede Globo se decidisse utilizar toda sua estrutura a favor de maiores e melhores vendas. Você poderia comprar o livro A Casa das Sete Mulheres e ter acesso a um espaço exclusivo na globo.com para ver trechos especiais da mini-série produzida para a televisão. Isso para ficar no mais básico, pois as possibilidades são imensas. 

Volto ao tema, brevemente, com mais exemplos. Talvez quando o livro eletrônico chegar de verdade já não conheçamos mais a separação entre o físico e o digital.

quarta-feira, 15 de abril de 2009

Novas linguagens de comunicação

Keith Loutit criou essa técnica de filmagem que é simplesmente surpreendente. Parace falsa, parece brinquedo, mas é feita sobre filmagem real. O impressionante que o autor tenta dar uma nova visão sobre locais que estamos acostumados a ver, mudando nossa percepção dos mesmos. Preste atenção nas ondas do mar. Realmente é algo de novo. Ainda não chegou nos comerciais, mas não demora a aportar por aqui. E observem a trilha. Também é fantástica.

terça-feira, 14 de abril de 2009

Pedigree e Purina: Briga de cachorro grande

Finalmente, a Nestlé reagiu e colocou uma campanha da Purina no ar para marcar território no mundo das rações para animais de estimação. Com a inclusão de um anúncio que se diz o primeiro de uma série, ela se oferece para dar “toda semana, uma dica diferente para cães e gatos” .

Dicas Purina

A Purina vem levando uma lavada da Pedigree, que criou uma campanha nos EUA  para adoção de cachorros sem lar e que a importou para o Brasil. Lá ela se chama The Pedigree Adoption Drive. Aqui, Adotar é tudo de bom. Com direito a site na internet e tudo. O projeto, lançado em 2008,  fez um baita sucesso, tendo inclusive comercial lançado no Superbowl deste ano. É uma briga desigual, a racionalidade da Purina, versus a emoção da Pedigree. Quem tem cachorro em casa, sabe que o placar está um a zero para a campanha da adoção.

 

Mas por que todo esse barulho em torno de rações para cachorros? Porque o Brasil tem a segunda maior população de animais domésticos do mundo, só perdendo para os nossos irmãos norte americanos.  De acordo com o site PetLink, a população de gatos no Brasil gira em torno 13 milhões. E o site Panorama Canino indica uma população 19,7 milhões de cães em todo o país. Só para ficar numa comparação simples, somente quatro estados tem população maior do que a população de gatos brasileiros: São Paulo, Minas Gerais, Rio de Janeiro e Bahia. E a população de Minas Gerais, segundo mais populoso estado brasileiro, é de 19,8 milhões. Ou seja, um cachorro por pessoa!

São dois bilhões de reais de faturamento por ano somente em rações, mercado conhecido como Pet Food. E olhe que em 2007, de acordo com o Ibope, somente 47% dos cães comiam rações industrializadas. Um mercado com potencial de dobrar e que vem > Mercado pet cresce 20% ao ano deste 1995">> Mercado pet cresce 20% ao ano deste 1995">crescendo 20% ao ano desde 1995. Para qualquer ângulo que se olhe, é um mercado promissor.

Não deixa de ser impressionante notar que cada brasileiro gasta, em média, R$ 380,00 por ano com animais domésticos, segundo cálculos da Associação Brasileira do Mercado Animal (ABMA), podendo chegar a incríveis R$ 210,00/mês, em média, de acordo com outra Associação, a Anfal Pet (Associação Nacional dos Fabricantes de Alimentos para Animais de Estimação).

Num país onde o salário mínimo é de R$ 465,00 é dinheiro prá burro, quer dizer, prá cachorro!

segunda-feira, 13 de abril de 2009

Gol para a TAM: Espelho, espelho meu…

Nos anos 90, existiam duas principais companhias aéreas, uma Azul Escura e outra Azul Clara. Surgiu uma companhia Vermelha, que matou a Azul Clara. Tempo passa e a briga entre a Azul Escura e a Vermelha vai aumentando até que a Vermelha vira líder. 

Varig e Vasp

Começo dos anos 2000 surge uma nova companhia aérea, a Laranja. (ou poderíamos chamar de Vermelha Clara?). Vem cheia de novidades, entre as quais ser a primeira companhia low fare do país. Nessa época, a Azul Escura começa a dar sinais de cansaço. Sobra o mercado para a Vermelha Escura e a Vermelha Clara (ou seria Laranja?), uma direcionada para executivos e a outra para novos consumidores.

Gol e Tam 

2007 – A Vermelho Clara compra o espólio da Azul Escura e passa a disputar realmente a liderança com a Vermelho Escura. Só que o vírus da Azul Escura ataca a Vermelho Clara, que adota sorrindo seu programa de milhagem. E, pasmem! Deixa de servir barrinhas de cerais e inclui sanduíches nos seus vôos, como a Vermelho Escura.

2009 – Se existiam diferenças entre as duas principais companhias aéreas no Brasil, agora não existem mais. A Gol acaba de implantar um sistema de tarifas que lembra o sistema da TAM. São quatro tarifas ao invés de cinco, mas que partem da promocional e vão até a livre. E que dão de 30 a 150% de milhas, contra 20 a 150% da concorrente. Depois da “variguização” de seus serviços, agora é a vez da “Taminização” dos preços. Low fare? Isso é passado…

Parece a Revolução dos Bichos, de George Orwell. Para quem não conhece, é uma história onde os bichos expulsam os donos da fazenda e tornam-se os novos proprietários. No começo, todos dizem que nunca querem ser como os humanos e continuam morando nos currais. Aí, os porcos resolvem ser os líderes e viver na casa da fazenda. Assim, cada dia passam a se parecer mais com quem criticavam.

Azul Linhas Aéreas

15 de dezembro de 2008 – Surge uma nova empresa aérea no Brasil, a Azul. Começa a voar saindo de Campinas e prometendo preços mais baixos e concorrências nos ares…

quinta-feira, 9 de abril de 2009

Ovos de páscoa para todos

Deu na revista Veja desta semana: indústria de chocolates do Brasil bate novo recorde de produção de ovos de páscoa. Serão 120 milhões de ovos distribuídos, de acordo com a matéria. Para a Nestlé esse número chegaria a 160 milhões. Até ai, morreu Bahia. O que me impressiona é saber que a população total brasileira é estimada pelo IBGE em 191 milhões de habitantes. Significa dizer que 62 em cada 100 pessoas comprarão e comerão um ovo de páscoa neste ano. Ou 71 em cada 100 das classes A, B e C. Se o Lula ficar fizer esse cálculo é capaz de lançar o programa Ovos para todos...

O Brasil é o quarto maior mercado consumidor de chocolates do mundo e o segundo em consumo de ovos de páscoa, perdendo somente, por enquanto, para a Inglaterra. Se considerarmos modestamente um preço médio de cinco reais por ovo, podemos dizer que este é um mercado de 600 milhões de reais. Pouquíssimas empresas nacionais faturam isso num ano. Planejados por um ano, faturados em alguns meses, consumidos em poucos dias.

Feliz páscoa para você!

quarta-feira, 8 de abril de 2009

BBB: E a vencedora é...o Max?!?

Acabou ontem o Big Brother Brasil 9, na Rede Globo, com um resultado surpreendente, se formos considerar as enquetes realizadas pelos três principais portais do Brasil. Depois de ter acompanhado os diversos paredões e ter postado por quatro vezes comentando sobre pesquisas na internet, fiquei meio impressionado com o que vi ontem. Todos eles davam como certo a vitória de Priscila. Quem havia flertado com a possibilidade da vitória do Max foi o Terra, que ao meio dia de ontem apontava 35% de preferências para o artista plástico carioca. Mas mesmo eles haviam capitulado e, à noite, indicavam a vitória apertada da morena sulmatogrossense. Uol e IG indicavam uma liderança confortável de Priscila, com 48 e 44% respectivamente. Vale ressaltar que a Folha on Line, numa enquete de rua indicava o Max como o vencedor.


Se voltarmos ao ponto que pesquisas por internet podem gerar algum tipo de distorção, o resultado final é uma comprovação dessa tese. A opção a isso é acreditar que a vitória não corresponde à votação real. Parte dos comentários em sites e blogs, hoje, insinuam que o resultado foi forjado. Sabendo como seria fácil para a Rede Globo manipular a vontade do telespectador, através das montagens e chamadas do canal, caso quisesse direcionar o público, fica claro para mim que o telespectador das classes C e D, que votou por telefone ou por SMS, escolheu o candidato mais conservador, evitando o voto na "gostosa", como a chamou o Bial. Seria uma comprovação de que o preconceito gerado por Priscila teria sido deixado de lado por quem tem acesso a computadores, talvez por ser de uma classe um pouco mais cosmopolita, moderna, e ter acesso a tv a cabo e as informações virtuais. Mas não pela população mais pobre, que só contava com a edição da tv para tomar sua decisão.

Vale esse ponto para enteder como funciona a internet no Brasil hoje. Pesquisas sobre automóveis pode dar um resultado aceitável. Pesquisa com itns como creme dental, sabonetes, cerveja ou outros de baixo valor, podem gerar uma distorção que influencie negativamente nas decisões. Lógico que haverá um momento em que isso deverá ser ultrapassado.

Comentário 1 - Impressionante a rapidez com a qual o portal Terra retirou todas as notícias sobre a possível vitória da Priscila. Dos três portais, foi o único que reescreveu sua história.

Comentário 2 - O assunto BBB gera uma curiosidade e uma leitura incrível. Meu pequeno blog, hoje, teve um alto acesso. Somente de pessoas que buscavam notícia sobre o programa. Como não é um blog de fofocas, dificilmente agradou os novos leitores.

Comentário 3 - Leia aqui os posts anteriores: BBB:E o Terra Errou, BBB: E o Terra...acertou!,
BBB é uma aula de Marketing, BBB: 58 é o número da sorte do Max.

terça-feira, 7 de abril de 2009

Twitter: Um novo Google, ou um novo Second Life?

Uma das melhores formas de se conhecer o sucesso de um novo empreendimento é o buzz gerado em sua volta e o aparecimento de críticas. Twitter é, sem dúvida, um sucesso. De origem relativamente recente, ele já foi capa de revistas semanais, brasileiras e estrangeiras. Esta semana surge a notícia que seu CEO, Evan Williams, recusou proposta da Google de compra por U$ 250 milhões. Para ele, o valor do serviço é de um bilhão de dólares.

Mas o que será que todos veem no Twitter? Alguns não veem nada, como você pode assistir no ótimo vídeo abaixo, dica do João Britto




Assistindo a esse vídeo, veio a minha mente outra febre da internet 2.0, o Second Life. De um dia para outro, todos correram para criar seus avatares e terem uma vida paralela no mundo virtual. As empresas, descobrindo um possível novo filão, passaram a criar formas paralelas de divulgar e vender produtos. E até dinheiro virtual, o Linden, era possível de se ganhar nesse portal surgido em 2003. Cheguei, inclusive, a pilotar uma Mercedes-Benz numa pista virtual. Deu vontade de sair dali direto para a concessionária do mundo real.

Passados seis anos, o Second Life foi do desconhecimento para as luzes da ribalta e voltou para um completo ostracismo. Esse é o risco do Twitter, passada a sua febre. Lógico que a Google vê mais do que isso. Para eles, é a possibilidade de ganhar mais uma funcionalidade, a da busca de termos que as pessoas estejam discutindo no momento. O que abre diversos usos, de pesquisas sociológicas a usos marquetológicos.

De toda forma, Second Life e Twitter nos mostram que existe um uso social para a internet que ainda não foi completamente preenchido. Quem mexe com marketing precisa ficar antenado. Uma hora dessas qualquer vai aparecer o google do mundo social. Não dá para a gente ficar fora dessa.

segunda-feira, 6 de abril de 2009

BBB: 58, o número da sorte do Max

Ontem teve paredão. O último desse BBB 9. E uma coisa saltou aos meus olhos. Se não era, a partir de agora o número 58 passa a ser o número da sorte do Max. Numa coincidência incrível (No lo creo en brujas, pero que las hay, las hay), a Ana foi eliminada com 58% dos 58 milhões de votos. Muito interessante...

Mas, analisando as votações paralelas dos portais brasileiros, uma coisa voltou a me chamar a atenção: ninguém chegou perto do resultado de ontem. O Terra desistiu de fazer uma enquete e já pulou direto para o resultado final. Uol acertou a eliminação da Ana, mas considerando-se a margem de erro seria possível qualquer resultado: 50,65%. O IG deu como eliminado o Max, com 53%, numa distância de mais de 11 pontos, que em qualquer pesquisa seria um erro astronômico. E não é que as votações tenham ficado baixas: 860 mil e 391 mil pessoas votaram, respectivamente, nos dois portais.

Não dá para negar que a utilização de pesquisas via internet vem se tornando uma realidade na área de comunicação. Só que, para grande parte delas, talvez não tenhamos massa crítica suficiente que evite um resultado enviesado. E tomar decisões de mercado em cima de resultados não confiáveis pode levar a desastres de marketing. Baratas, essas pesquisas são. Mas o custo final delas pode ser algo imponderável.


domingo, 5 de abril de 2009

Fiat e VW. A briga continua

VW versus Fiat

Março fechou mais emocionante ainda. Por 330 unidades, a Fiat foi líder de mercado no mês. O acumulado continua em 1000 unidades, o que significa um pouco mais de insiginificante meio por cento das vendas acumuladas. A briga continua, cada vez mais apertada. E a crise, para o mercado automotivo, parece ter sido muito mais uma oportunidade do que um problema, com março sendo o segundo melhor mês da história da indústria automobilística brasileira.

Interessante notar a reação do Palio, que cresceu mais de 50%, reflexo talvez do lançamento do modelo 2010. Com certeza, se a liderança voltou à empresa italiana, o motivo foi o renascimento de seu principal modelo.

Com a prorrogação do desconto do IPI, a briga deve se arrastar pelos próximos meses, ajudando, inclusive, na manutenção dos bons resultados de vendas. De uma coisa podemos ter certeza: os ânimos devem etar exaltados nas duas montadoras.

sexta-feira, 3 de abril de 2009

Tecnologia não é assim tão difícil

A gente sempre se surpreende com novas tecnologias e somos tomados por um certo medo em utilizá-las. Normalmente, o que se exige de nós é uma nova forma de fazer o que estávamos habituados de outro jeito. Talvez aí esteja a explicação do porquê as crianças e jovens se adaptam com tanta velocidade: eles não tem conceitos prévios, formas antigas, de se fazer as coisas.

Olhar para antigas tecnologias e pensar nos problemas que as pessoas tinham ao começar a utilizá-las pode ser um bom exercício para se espantar os atuais fantasmas. Melhor ainda se for com humor, como faz o vídeo abaixo. Bom divertimento.

quinta-feira, 2 de abril de 2009

Itaú e American Express. Mesma relação, soluções diferentes

Este mês minha esposa faz 20 anos de relacionamento com o cartão American Express. Este mês fazem 20 ano que tenho conta no Banco Itaú, onde sou cliente do Personnalité. É muito interessante, pois só percebemos a coincidência depois que recebemos as mensagens das duas empresas.

Lógico que o conteúdo das duas mensagens era igual: um agradecimento pelos longos anos de convivência. Só que parou por aí. O Itaú mandou-me um e-mail. À primeira vista, uma coisa moderna comparada com a carta enviada pelo American Express para minha esposa.

Enquanto a minha mensagem dizia o banco está pronto para ouvir-me para aprimorar seus serviços, o cartão fez questão de enviar um presente que, além de ser simpático, reforça sua relação com o cliente: ele irá dobrar os pontos do programa de fidelidade a serem acumulados nas compras dos próximos dois meses.

Sei que são duas instituições diferentes. Sei que as duas lembraram-se de nos felicitar pela relação, enquanto tantas outras só se lembram de nós nos momentos de cobrança. Mas que eu senti uma pontada de ciúme do tratamento VIP dispensado à minha esposa, ah, isso sim!

terça-feira, 31 de março de 2009

O bom da curiosidade

Quem me acompanha sabe que gosto de estudar um pouco as cidades das quais estão vindo meus leitores. Não são muitos, mas graças a democracia proporcionada pela internet, estão literalmente espalhados pelo mundo. E o que mais me espanta nessas pesquisas, que são, por assim dizer, randômicas, é que sempre existe um fato pitoresco em todas elas. A sensação que tenho é que se existirem um milhão de cidades no mundo, sempre será possível descobrir um lado interessante em cada uma delas. Esse é o lado bom da curiosidade.

Dayton Skyline Vista geral de Dayton

Desta vez, a cidade em foco é Dayton, em Ohio, Estados Unidos. Ela é uma cidade de menos de 200 mil habitantes, 166 mil para ser exato. Apesar de ser localizada próxima aos grandes lagos, não é banhada por nenhum deles nem pelo mar. Poderíamos até dizer que Ohio é um estado parecido com Minas Gerais, pois o mar mais próximo fica a quilômetros de distância. Mas lógico que alguma coisa existe que ligue Dayton à história do Brasil. Ela é a cidade materna dos Irmãos Wright.

Para quem não se lembra, os Irmãos Wright são, para os americanos, o que Santos Dumont é para os brasileiros: os inventores do avião. O que os diferencia? Primeiro, eles voaram três anos antes do brasileiro, em 1903. Segundo, o avião de Santos Dumont foi o primeiro a levantar-se do solo sem ajuda de nenhum geringonça externa ao aeroplano (o avião dos Wright precisava ser lançada de uma catapulta, razão pela qual a discussão de quem realmente foi o inventor). Terceiro, e mais importante, eles patentearam a invenção, Santos Dumont não.

Quem é o verdadeiro inventor? Pouco importa. Importa que os Irmãos Wright foram mais espertos, registrando um invento que tornou-se em pouco tempo o maior meio de transporte do mundo. Cmoo dizem. Não importa o fato, mas sim a versão do fato.

segunda-feira, 30 de março de 2009

Se cuida, Carrefour! Wal-Mart vem aí.

Perto da minha casa existem dois hipermercados, um do Carrefour, outro do Wal-Mart. Entre eles, a distância não é maior do que 300 metros, sendo que ambos estão muito bem instalados, em termos de estrutura e facilidade de entrar e sair. Eu já morava no bairro quando o Carrefour abriu em 2003. Vi, também, nascer o Wal-Mart, em 2008. Posso me dizer cliente dos dois, mesmo que a maior parte das minhas visitas sejam mais pelo interesse mercadológico do que necessidades de itens para a minha casa.


Carrefour

Fiquei impressionado na minha última visita aos dois com a diferença de movimento nos seus respectivos estacionamentos. Na tarde da quarta-feira de cinzas, vi um estacionamento vazio nas dependências do Carrefour. Na minha cabeça, nada mais do que normal, já que mais da metade de São Paulo estava nas praias do litoral. Surpresa foi deparar com um estacionamento lotado no Wal-Mart. Mesmo dia, mesmas condições? Alguma coisa deveria estar acontecendo.

Reparei que na entrada de ambos, dois carrinho de compras lotados e lacrados comparavam os preços de seus produtos, sempre um com os seus preços e o outro com os do concorrente. Lógico que os dois divulgando que seus preços eram os menores. Não adianta. Acendeu ai a curiosidade de marquetólogo e eu precisei entender como os dois podiam ser, ao mesmo tempo, os mais baratos da região.

No Carrefour, os produtos eram iguais, mas as marcas diferentes. Eram comparadas cestas de alimentação, mas não necessariamente produtos idênticos. Arroz tinha. Feijão tinha. Óleo tinha. Mas não eram obrigatoriamente os mesmos arroz, feijão ou óleo. Um direcionamento para a commmodity mais barata, não importando quem a fabricasse.

Wal-MartNo Wal-Mart, a seleção era exatamente a mesma. Se arroz era de uma marca num carrinho, no outro também. Marca de óleo? Sempre igual. Feijão? A mesma nos dois. O direcionamento era para itens iguais, mesmo fabricante.

Para mim ficou claro. Enquanto a estratégia do Carrefour levaria a atrair um tipo de consumidor mais preocupado em economizar os centavos, não importando a qualidade do produto, o Wal-Mart estaria se preocupando em criar a imagem de preço mais baixo. Diria que enquanto a rede francesa estaria atraindo um público mais pobre, com menos capacidade financeira, a americana estaria se dirigindo a uma classe mais esclarecida, que entende que pode pagar menos pelo mesmo.

Isso explicaria, mesmo que pouco, a diferença do movimento nos dois hipermercados. Lógico que outros fatores também contribuem. Mas refletem claramente os diversos sobe e desce da atual maior rede brasileira.

Dez anos separam a chegada das duas redes no Brasil, mas com uma enorme diferença nas suas políticas de expansão.

Quando o Carrefour chegou em 1975 ao Brasil, trouxe uma novidade que a alçou à liderança em pouco tempo. Os hipermercados, que até aquela data contavam-se nos dedos, passaram a se multiplicar em diversas cidades brasileiras, roubando a histórica liderança do Grupo Pão de Açucar. Porém, a própria mudança na economia, que eliminou a necessidade de grandes compras quando a inflação foi domada, mais erros internos, devolveram a liderança ao grupo brasileiro.

Enquanto isso, a Wal-Mart, que chegou em 1995 (obrigado Augusto, pela correção) e por anos manteve uma estratégia de baixa expansão, pegou um mercado mais maduro e com concorrentes bem estabelecidos. Corrigidos os problemas enfrentados nos primeiros anos, como mix de produtos errados, a rede partiu para a compra de diversas redes regionais, o que a levou a encostar num combalido Carrefour de 2006.

A retomada da liderança pelo Carrefour só se deu em 2007, com a compra da rede Atacadão. Entre elas não está morto o Grupo Pão de Açucar, dono de redes como o Pão de Açucar e Extra. Mas o Wal-Mart, maior rede de supermercados do mundo, não veio para o Brasil para ser apenas coadjuvante. A briga merece bons rounds. Como os que estou vendo na esquina da minha casa.

Leia também: Se cuida Carrefour! Walmart vem aí 2

sexta-feira, 27 de março de 2009

Playboy e BBB. Sexo e reality show, 24h por dia

Duas coisas me chamaram a atenção esta semana em relação à internet.  Primeiro, a Playboy americana anunciou o lançamento do seu novo site, a playboyarchive.com, com todo o conteúdo de suas revistas nos últimos 53 anos. Segundo, descobri alguns sites que transmitem o BBB 24 horas por dia, gratuitamente, o diariobbb e o Justintv. Existem outros, mas com o diariobbb você consegue ver todas as câmeras instaladas e escolher quem você irá acompanhar, como no globo.com, sem pagar a assinatura.

Playboy libera seu conteúdo na internet

O que me impressionou em duas coisas tão corriqueiras? O velho tema de sempre: como a internet vem mudando a forma de controlar os direitos autorais. Ou pior, rompendo com esse conceito.

A Playboy já perdeu a luta. Não precisa ser conhecedor da internet para, com dois clicks, conseguir ver qualquer das modelos que aparecem em seus exemplares. Dezenas de sites tem as páginas escaneadas e expostas. Nenhum deles está pagando mais do que o preço de capa da revista na banca. A Playboy disponibilizar seu conteúdo somente permite à editora entrar de novo na luta. Com mais munição, mas bastante atrasada.

No caso do BBB, de nada adianta o enorme zelo da toda poderosa Globo em tentar controlar o incontrolável. A internet, mais do que democrática, é anárquica. O problema é que essa liberdade excessiva não gera ganho. Ao contrário. Os sites que estão transmitindo o BBB também só pagam o custo da assinatura da globo.com. Transmitem gratuitamente pelo prazer de gerarem tráfego. Que é dinheiro não faturado pela Vênus Platinada.

Esses dois exemplos se somam aos anteriores já comentados aqui no blog: Internet: Adeus ao copyright, Copyright II. E só reforça que o caminho da comunicação passa pela discussão profunda de como assegurar o direito autoral e ganhar dinheiro com um novo meio de comunicação em que o controle é impossível. Esse é o nosso próximo desafio.

quarta-feira, 25 de março de 2009

Propaganda quando é boa é boa mesmo

Correios coloca novo comercial do Sedex no ar. Relógios e encomendas. Não precisa nem falar muito.

Assistindo TV em lentes de contato

Finalmente a Tv irá se tornar pessoal e móvel. Futurologistas preveem para daqui a 10 anos a venda de lentes de contato com tvs incorporadas. A miniaturização de componentes, como o que a gente vê no dia a dia acontecendo com os iPods, mais tecnologias como a TV Digital, apontam para esse caminho. Nem energia será um problema, pois a previsão é que elas funcionem a partir da gerada pelo corpo humano. Teríamos, então uma imagem formada sobre o que estamos vendo, ao estilo da visão do Robocop, ou a visão de programas, como hoje assistimos em telas de plasma ou LCD.

Visão do Robocop

Mas o que a tv pessoal poderá afetar nossa forma de consumir programas? E como isso modificará a nossa forma de utilizá-la como meio publicitário?

 TV na lente de contato

A televisão, da mesma forma que o telefone, surgiu como um aparelho comunitário. Mais do que atender a família, servia também aos amigos e vizinhos nos seus primórdios. Lógico que, com o barateamento dos custos de fabricação, cada lar passou a ter sua própria TV e seu próprio número de telefone.


Num certo momento, o telefone conseguiu dar seu salto quântico, transformando-se de fixo e familiar, num aparelho individual e móvel. Explodiu, então, o mercado dos celulares, que atendia uma necessidade latente mal resolvida: a de manter as pessoas sempre contatadas umas com as outras.

Celular com TV

A TV ainda não conseguiu esse intento. Estão saindo, agora, as primeiras tvs verdadeiramente portáteis, aquelas instaladas em celulares. Elas, mais a TV Digital, estão finalmente dando mobilidade aos antigos e pesados aparelhos de TV.

Mas o que acontecerá com ela quando tivermos essas maravilhosas tvs instaladas em lentes de contato?

Posso imaginar diversas mudanças, se considerarmos o on demand, o GPS, a internet, incorporados num mesmo equipamento.

Primeiro, podemos ir a campo de futebol e assistir a replays de gols e jogadas controversas sem perder a concentração no que acontece em campo. Segundo, um canal de previsão de tempo pode usar a nossa posição, indicado por GPS, e nos dar as previsões, ao olharmos para o céu. Terceiro, qualquer viagem que façamos pode ser ilustrada por canais de turismo e de história, ao olharmos um prédio, uma vista, ou algum objeto exposto em museus. Quarto, o caminho apontado pelo GPS pode ser visto enquanto você olha para as ruas, aumentando sua segurança.

 TV em lente de contato

Esses são exemplos. Podemos enumerar mais um milhão de outros. Em todos, a publicidade pode ser inserida e direcionada a cada um especificamente. Olhou para um shopping? Podemos incluir ali a publicidade de um restaurante, na hora do almoço, ou de uma livraria, no resto do dia. Assistiu ao replay no campo de futebol? A marca do patrocinador poderá estar sempre presente na imagem.

São somente 10 anos. Pouco tempo, quando se fala de adequar uma instituição centenária como a publicidade. Que já está tendo problemas em entender como utilizar e ganhar dinheiro com a internet atual. Se quisermos estar na cabeça da onda, precisamos começar a entender esse fenômeno desde já.

O único ponto que não consigo ver solução é como evitar que os alunos passem toda a aula de química sem aproveitar para assistir o último capítulo de Lost. Com certeza, os professores terão que pedir a todos desliguem suas lentes.

terça-feira, 24 de março de 2009

Google vai dominar o mundo

Foi com essa frase que meu filho me chamou a atenção para o quão rápido poderá ser o domínio da Google em nosso mundo da internet. Ele me fez lembrar que comentávamos o mesmo sobre a Microsoft há pouco mais de 15 anos. E o que houve depois disso? A segunda revolução da informática.

Google Microsoft

Se a primeira revolução foi o Personal Computer, que introduziu um computador em cada casa, a internet se encarregou da segunda, trazendo a interatividade e o sistema de computação em nuvens, Podemos dizer que a Microsoft está para a primeira como o Google está para a segunda.

Fico imaginando as pessoas no começo do século XX, olhando para o aparecimento dos monstros chamados General Motors e Ford. Elas foram, naquele tempo, o que Microsoft e Google são para nós, nesse momento.

GM Ford

A história, de alguma forma, se repete. A Ford inventou a linha de produção e virou líder do mercado em poucos anos. A General Motors, vindo depois, teve que entender melhor o mundo do automóvel e o que ele significava para as pessoas. Ao invés de olhar para o mercado e ver automóveis como meio de locomoção e buscar baixos custos, a GM entendeu que eles poderiam ser um símbolo de status. E incentivou isso, através da criação de cores diferentes e modelos que evoluiam e tornavam os anteriores velhos, ano após ano.

A Microsoft é a Ford do mundo da informática. A Google se parece com a General Motors. A GM está a beira da falência. A Ford também. Nenhum domínio dura para sempre.

domingo, 22 de março de 2009

Marcas que se vão, marcas que evoluem II

Comentei aqui, anteriormente, que o ano de 2009 será uma aula para quem se interessa pelo assunto marcas. Citei três movimentos e detalhei o primeiro deles, a mudança da marca de cigarros Carlton para Dunhill.

Os outros dois movimentos são mais interessantes ainda, pois são de uma mesma área de atuação, o bancário.

Itaú e Unibanco

Quando o Itaú anunciou a fusão com o Unibanco, em novembro de 2008, o discurso que se ouviu era que estava acontecendo uma união entre iguais. Essa mensagem já se diferenciava, e muito, do que o Santander divulgou quando comprou, em outubro de 2007,  o ABMN Amro, dono do Banco Real. Ele já antecipava a eliminação da marca brasileira num prazo de três anos.

Santande e Real

Apesar do discurso, o que se percebe é uma maior velocidade na transformação da marca Unibanco em Itaú do que a do Real em Santander. Passados menos de três meses, a sinergia entre as duas marcas brasileiras iniciou-se através da integração entre os caixas eletrônicos das duas redes. Enquanto isso, o banco espanhol demorou mais de quatorze meses para realizar o mesmo movimento.

banco_real

Real Santander

Vê-se a mesma diferença na comunicação das duas instituições. Se o Banco Real trocou o sobrenome ABN Amro Bank por Grupo Santander imediatamente, sua linha de comunicação, até hoje, continua diferenciada. Somente em dezembro do ano passado, ou seja, um ano depois da compra, os dois bancos fizeram uma primeira comunicação juntos.

Foram somente três meses para aparecer o novo slogan e adaptar o layout do Unibanco ao seu próprio, de uma forma tão clara que até o jornalista Guilherme Barros, da Folha de S. Paulo, comentou em sua coluna Mercado Aberto, no último dia 23.Digitalizar0010

São duas estratégias diferentes, que poderemos acompanhas durante os próximos meses. Qual a melhor? Não é possível dizer. Até porque não podemos esquecer de que ambos os bancos tem experiência prévia em fazer essa transição. O Itaú, com a incorporação do BankBoston, em 2006. E o Santander, com a compra do Banespa, em 2000.

sábado, 21 de março de 2009

Qualidade = expectativa menos realidade

Bill Watterson é, no meu ponto de vista, o melhor cartunista que o mundo já viu. É simplesmente hilariante ver os cartoons de Calvin, um menininho de seis anos, que encara a vida com a visão de…um menino de seis anos. Só isso já seria cômico, pois o mundo é cheio de surpresas desagradáveis. Os adultos aprendem a administrar a frustração diária, mas que não faz nenhum sentido, se vistos de uma forma mais ampla.

Nós, que trabalhamos com marketing, vivemos de elevar a expectativa dos nossos prováveis clientes, como forma de convencê-los a consumir nossos produtos. O maior problema é quando a entrega não corresponde a expectativa gerada. O exemplo abaixo vale para uma reflexão.

Calvin

Do Brasil para o mundo

Quando o Fiat Palio foi lançado, em 1996, um dos pontos de diferenciação do produto era que ele era um carro desenvolvido no Brasil para conquistar todo o mundo. O mundo Fiat, entenda-se, que abrangia a Europa e vários países emergentes.

Agora, em 2008, foi lançado um filme com Leonardo DiCaprio e Russel Crowe que demonstra o tão longe ele chegou. Em uma cena de Rede de Mentira, em Amã, capital da Jordânia, DiCaprio desce de um táxi em frente ao hotel e o que vemos estacionado na sua porta? Um modelo da família Palio.

Rede de Mentiras - Palio

A chance da montadora de ganhar o restante do mundo está rondando sua porta, com o acordo com a Chrysler. A americana, à beira da falência, pode ser o que faltava aos italianos para conquistarem o coração e a confiança dos americanos. É torcer para que o casamento não leve as duas para o mal caminho.

quinta-feira, 19 de março de 2009

Reinventando o negócio

O que você faria se tivesse uma empresa presente em 100% das cidades brasileiras, com mais de 12 mil lojas e 115 mil funcionários, e visse o interesse de seus consumidores pelo seu produto cair rapidamente, a ponto de inviabilizar seu negócio? Esse é o desafio do Correios brasileiro. Que está sendo reinventado de forma impressionante.

correios

Havia muito tempo que eu não ia a uma loja dos Correios. Precisei ir buscar um a encomenda internacional, uma daquelas coisas que você é obrigado a fazer pessoalmente.  A falta de fila não foi uma surpresa, pois com a internet enviar cartas ou telegramas virou uma coisa fora de moda.

Impressionou-me o número de novos negócios que são ofertados por eles. A sensação que tive é que o risco da diminuição de fluxo de cartas fez acender a fagulha da criatividade por lá. Lógico que alguns serviços são parte do seu papel social, como por exemplo fazer o CPF na agência, ou a distribuição de urnas eletrônicas nas eleições.

Porém, percebe-se que eles tem noção do tamanho e capilaridade de sua rede. Fora a Telesena, que pode ser comprada ou trocada em qualquer agência, os balcões servem de espaço para a distribuição de catálogos e folhetos de vendas e cursos por correio, uma forma de reforçar o negócio principal da companhia.

Digitalizar0009

Muito interessante também é ver a criação de um shopping virtual na sua página de internet. Os Correios não comercializam nenhum dos produtos. Apenas cadastram empresas que queiram fazer e-commerce e dão todo o suporte logístico a elas. Se o foco deles não é competir com as Casas Bahia ou a Americanas.com, em compensação permitem a muitos empresários que entrem nesse novo mundo de uma forma barata e simples. Reforçando, mais uma vez seu negócio de transporte de mercadorias.

Por último, a criação do Banco Postal permitiu o desenvolvimento de um novo produto. Hoje, além do recebimento de pagamentos e abertura de contas, o Correios oferece empréstimos pessoais em suas agências, concorrendo com financeiras tais como Fininvest, Finasa, Taií e outras. Está entre os planos para o futuro a oferta de microcrédito através dos 55 mil carteiros que visitam todos os lares brasileiros, ampliando, ainda mais, o alcance do Banco Postal. É como as consultoras de beleza da Avon, batendo na sua porta para lhe oferecer dinheiro e não perfurmes e batons.

Exatamente no dia 20 de março, a Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos faz 40 anos. Ela é a sucessora dos vários correios brasileiros, empresas que vem substituindo umas às outras desde 1663. Porém, esta nova configuração permitiu que a ECT tivesse, em 2008, um faturamento de 11 bilhões de reais, com um lucro de 800 milhões de reais. Ainda em 2008, ficou ranqueada como a empresa de logística com melhor reputação no mundo, de acordo com o Reputation Institute, de Nova York.

Se isso tudo não é reinventar o negócio, não sei o que seria. 

quarta-feira, 18 de março de 2009

Sentindo-me em casa

Esta coisa de buscar conhecer as cidades de quem visita meu blog leva a descobertas fantásticas. Fui visitado por alguém de Erechim, cidade localizada ao noroeste do Rio Grande do Sul. Conhecia de nome, mas nunca havia lido nada a respeito da mesma.

Descobri uma coisa fantástica. A cidade, fundada em 1918, repetiu a planta original da minha cidade natal, Belo Horizonte. Como BH foi a primeira cidade planejada do Brasil, creio que isso faz de Erechim a segunda.

Belo HorizonteÁrea central de Belo Horizonte. A parte projetada

Erechim 

Erechim. A parte projetada

Mais do que isso, as duas cidades foram construídas em terrenos montanhosos, o que faz com que subidas e descidas sejam uma constante na vida dos belorizontinos e dos erechinenses.

terça-feira, 17 de março de 2009

Leve, livre e solto

Entrou na moda, agora, o já famoso netbook. Ele é, nada mais, nada menos do que uma versão reduzida dos atuais laptops, com menos recursos e periféricos. Mas por que eles estão fazendo tanto sucesso, a ponto de passarem, de 2007 para 2008, de um  para 11 milhões de unidades vendidas em todo mundo?

dell-mini-9 Simples. Mais do que só disporem os programas mais acessados pelas pessoas (internet, e-mails, editores de texto e planilhas eletrônicas), eles realmente fazem as pessoas acreditarem na portabilidade. Com tamanhos menores do que cadernos e pesando pouco mais de um quilo, transportar essas maravilhas da tecnologia virou brincadeira. O novo lançamento da Sony, inclusive, brinca em sua propaganda com essa característica.

Netbook SonySó que isso é só o começo da revolução que vem por aí. A questão, agora é eliminar tela e teclado, fazendo com que as pessoas possam simplesmente usar as superfícies como base para imagens e teclados virtuais.

PC Future

PC Future 2

Do Massachusetts Institute of Technology vem um vídeo que demonstra todo esse conceito, num protótipo que, se ainda é meio rude, deverá se transformar num objeto elegante e pequeno como os atuais pendrives.

Clique na imagem abaixo e veja o conceito em funcionamentoComputador do futuro

Tentar prever o futuro é algo arriscado, mas institutos como o MIT mais do que prever tentam criá-lo. Se muitas vezes chega-se a algo muito longe da realidade, como as previsões de que no começo do século XXI as pessoas estariam por aí em carros voadores, algumas vezes passam bem perto da realidade. Vale a pena gastar um pouco mais de tempo e ver o vídeo abaixo, de 1967. Já estão lá o computador de mesa, o comércio eletrônico, o internet banking e até a comunicação por e-mails.

segunda-feira, 16 de março de 2009

Cartões de relacionamento: oportunidade de ouro

Continuando a saga sobre marketing de relacionamento, vale ressaltar o fenômeno que está ocorrendo em São Paulo, que certamente se alastrará por todo o Brasil e que as boas empresas poderão se utilizar dele. É o advento da nota fiscal paulista.

nota-fiscal-paulista_640x408Para quem não sabe, a nota fiscal paulista é uma política de devolução de 30% do ICMS para os consumidores cadastrados na Secretaria da Fazenda. Aproveitando da criação da nota fiscal eletrônica, o Governo de São Paulo encontrou uma forma de fiscalizar a emissão de notas fiscais e a sonegação, sem necessariamente colocar um batalhão de fiscais na rua. Abriu mão de parte da arrecadação em favor de cada um dos consumidores, que passam a serem eles fiscais por serem beneficiados financeiramente.

Isso já foi tentado anteriormente, mas as mecânicas eram supercomplicadas, pois o consumidor juntava notas e trocava por cupons que iam para sorteio, etc, etc. Agora, com a informatização do ponto de vendas, um simples número resolveu toda a complicação.

É uma mudança de cultura que começa a se perceber nas ruas. Se quando do lançamento as pessoas tinham vergonha de dar o número do CPF e pedir a nota fiscal ao estabelecimento, cada vez isso é mais um comportamento normal, devido principalmente a toda a publicidade que o governo vem fazendo em torno do assunto.

Mas qual é a oportunidade de ouro para as empresas? Quem mexe com programas de relacionamento sabe que um dos pontos mais críticos, ao lado de convencer o consumidor a repassar seus dados, é fazê-lo ter sempre a mão seu código e apresentá-lo prontamente. O convencimento já está sendo feito pelo governo, utilizando-se um número que todos os consumidores sabem de cor, o CPF. Basta às empresas criarem um programa interno de relacionamento, alinhá-lo no caixa com a informação da Nota Fiscal Paulista e pronto! Passarão a ter todo o perfil de consumo dos clientes que se cadastrarem.

É lógico que é mais fácil falar do que fazer. Mas não dá para negar que o passo mais difícil já está sendo executado e entregue de mão beijada.

quinta-feira, 12 de março de 2009

Cartões de relacionamento: Outras experiências

Impctado pela Drogaraia, fiquei pensando nos demais cartões de fidelidade que possuo e cheguei a uma triste conclusão: Estamos engatinhando nesse setor aqui no Brasil. Muito se fala no atual baixo custo da informatização, que permitiria dar um salto em direção à relação one to one. Muito se fala, pouco se faz.

Tam e Smiles 

Fidelidade / Smiles – Não consigo vê-los como cartões de relacionamento, mas somente como promoções das duas empresas aéreas. O termo cartão de milhagem reflete melhor o que são – cartões de acúmulo de bônus para a troca por viagens grátis. Somente recentemente os sites das suas respectivas empresas, Tam e Gol/Varig, passaram a completar os formulários de compra por internet automaticamente. Mas nunca se lembram de detalhes simples como a preferência de assento, por exemplo. Ainda falta muito para surpreenderem realmente seus clientes.

Mais Cultura

Mais Cultura – É o programa de relacionamento da Livraria Cultura. Não tem um sistema tão desenvolvido quanto o da Amazon, que envia e-mails regularmente com dicas de livro nas minhas áreas de preferência, além de indicar o que as pessoas com gostos parecidos com o meu estão comprando, mas está caminhando nessa direção. Os e-mails enviados pela Livraria ficam cada vez mais e mais direcionados, mas a relação ainda é distante.

Pao de açucar mais

Pão de Açucar Mais – Deve gerar um banco de dados enorme para a rede de supermercados Pão de Açucar, ajudando a entender melhor seus consumidores. Sinceramente, nunca percebi para que serve. Devo ter milhares de pontos, mas não tenho vontade de trocá-los. Já vi promoções para clientes Mais, apesar de não me sentir parte de um grupo diferenciado. Não dá para negar que descobrir um produto com preço mais baixo para os possuidores do cartão é um prazer especial. Só falta a verdadeira relação, fazerem-me sentir que sou querido.

Se a gente parar para pensar, verá que esse tipo de cartão tem se proliferado rapidamente. A pergunta, sempre, é: No que isso ajuda a nossa empresa a reter mais o cliente e aumentar seus gastos conosco? Sem uma resposta séria para o ponto, um programa de relacionamento nada mais é do que gasto desnecessário e mais uma amolação para o consumidor.

quarta-feira, 11 de março de 2009

Cartões de relacionamento: Uma experiência positiva

Mesmo quem trabalha diariamente com marketing tem seus momentos de consumidor inocente, nos quais as técnicas criadas pelas empresas acabam nos seduzindo, antes do lado racional funcionar.

raia 

No último final de semana, surpreendi-me ao comprar na Drogaria Raia. Eles tem seus processos: Você pede o produto e, antes de se dirigir ao caixa, o atendente lhe pergunta se tem cartão Raia, digita seu número e lhe entrega um cupom de desconto para compras adicionais.

Eu, distraído que estava, fiquei maravilhado. O desconto era num produto que sempre minha esposa leva e que não precisávamos daquela vez. Com essa lembrança, acabamos ampliando a compra.

Não deu nem dois minutos e a ficha caiu. Foi só o atendente digitar o código de cliente para os bancos de dados funcionarem, gerando um cupom com ofertas em produtos específicos para o gosto da minha esposa. É o famoso marketing de relacionamento funcionando e aumentando o ticket médio da empresa.

Ponto para a Raia, que está usando essa ferramenta para fidelizar os clientes e aumentar as vendas.

 
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