terça-feira, 10 de março de 2009

O presente já não é mais o mesmo

Karl Fisch é um professor de High Scholl dos Estados Unidos. Em Highlands Ranch, Colorado, uma cidade de 70 mil habitantes, para ser mais exato. Ele começou um blog em 2006, discutindo o futuro da educação e como a sua escola poderia se preparar para isso. Resultado de um apoio externo e uma decisão da diretoria de preparar melhores alunos. O objetivo final? Buscar soluções imediatas para formar pessoas mais preparadas para as mudanças que estão chegando.

Ele criou uma trilogia: What if?, que discute o que seria do presente se no passado as escolas não tivessem evoluído, apesar de opiniões contrárias, Did You Know, que aponta as mudanças no presente que não nos damos conta, e 2020 Vision, uma leitura do futuro daqui a 12 anos.

O vídeo abaixo, profissionalmente produzido para uma reunião da Sony, vale ser visto. É de assustar o que já temos de mudanças no presente, que a gente não percebe na correria do dia a dia.

PS – Obrigado pela dica, Márcia

segunda-feira, 9 de março de 2009

Mercado automotivo. Nova liderança?

Perguntaram-me porque não comentei a liderança da Volks em fevereiro aqui no blog. Muito simples: não tem nenhuma novidade nisso e sim um trabalho de formiguinha por parte dos alemães. E uma puta de uma sorte de terem virado o ano de 2008 com um estoque maior do que os italianos. O que os ajudou no momento em que o mercado reagiu por conta da redução do IPI.

VW x Fiat

Não fique você acreditando que a briga terminou por aí. Os próximos passos serão mais interessantes. A Volks quer porque quer a liderança. A Fiat também. Daqui a pouco começaremos a ouvir de ambas as partes que o importante não é a liderança, mas o lucro. É a primeira etapa para disfarçar o real interesse. E preparar terreno para o caso de não chegar à liderança, ou perdê-la, dependendo de quem está fazendo o discurso.

Preste atenção nos próximos movimentos. Até o meio do ano, veremos uma briga enorme da Fiat, carro a carro, para não perder a liderança. Vai custar caro para eles. No meio do ano começa a verdadeira guerra do ano: a guerra das pick-ups.

Volks lança seu novo modelo, baseado no plataforma do novo Gol. Pode se chamar Arena, mas isso é pouco importante. O que chama a atenção é que a Volks irá lançar, com dez anos de atraso, uma pick-up pequena de cabine estendida, a la Strada.  Demoraram, mas acordaram. Durante dez anos a Fiat vendeu mais do que o dobro da segunda colocada. Agora, a Volks quer um pedaço desse filão. E a Fiat irá criar um novo segmento, a das pick-ups pequenas de cabine dupla. Para continuar um passo a frente.

Esse é somente o começo. Não será no segundo semestre, mas com certeza em 2010, que a Fiat trará um novo Palio, novo mesmo, para enfrentar o já consagrado novo Gol. Aí é que conheceremos a força de cada uma das marcas.

sexta-feira, 6 de março de 2009

Marcas que se vão, marcas que evoluem

Para quem é interessado no assunto, este ano de 2009 trará alguns bons exemplos de como uma empresa deve fazer para absorver marcas de sucesso em seu portifólio. Temos, neste momento, três mudanças ocorrendo e que podem fazer com que as marcas compradas deixem de existir ou passem a representar novos segmentos para as empresas que as estão absorvendo.

A primeira é claramente uma mudança. A Souza Cruz está transformando sua marca Carlton em Dunhill, marca internacional da BAT no mesmo perfil de consumo. A razão é óbvia: Com as proibição de se anunciar cigarros no Brasil, fica mais simples e barato trabalhar com marcas internacionais nos pontos de vendas, pois além de se economizar em custos como desenvolvimento de embalagem e de materias de POP, simplifica-se a administração de portifólio.

A estratégia vem sendo crescer a submarca Dunhill ao lado de Carlton, até que ela passe a ser a principal marca no embalagem do produto, antes que Carlton desapareça por completo.

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A foto acima foi tirada numa banca de jornais, nesta semana. Já a de baixo foi tirada, no mesmo dia, no aeroporto de Congonhas. Áos poucos, os pontos de vendas vão sendo modificados para que o consumidor se acostume com a novidade.

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Resta observar como a Souza Cruz irá trabalhar os fãs da marca, uma das poucas marcas de cigarro que possui mais de uma comunidade no Orkut.

Na próxima semana, voltamos ao assunto, falando sobre as demais mudanças.

quinta-feira, 5 de março de 2009

O BBB é uma aula de marketing

Terça foi dia de paredão no BBB. 64% dos mais de 35 milhões de votos tiraram o Ralf da disputa pelo prêmio final. Até aí, tudo bem, normal do jogo. O que chama a atenção é como todos os portais erraram o percentual de votos dados a cada um dos dois emparedados.

Terra e Uol deram como eliminada a participante Ana, com 53 e 52%, respectivamente. Isso, com mais de 2 milhões de votos no Terra e 850 mil no Uol.

BBB 03 03 09 IG 

Quem mais se aproximou do resultado real foi o portal IG que, com apenas 360 mil votos deu a eliminação do Ralf com 52%. Um erro de 12%, o que supera, e muito, as margens de erro normalmente aceitas.

Mas por que isso é uma aula de marketing? Simples. Comparando a origem dos três provedores, podemos afirmar que o IG tem um perfil mais popular que os demais, já que ele foi o primeiro portal gratuito brasileiro.

Enquanto Uol e Terra travavam uma guerra pelo acesso pago, IG foi criado em 2000 para ser a primeira opção gratuita de acesso à Internet no Brasil. Repetia aqui uma fórmula que vários países tinham adotado.

É bem provável que essa sua origem tenha refletido num perfil mais parecido com a distribuição sócio-econômica brasileira. O seu caráter gratuito permitia a inclusão de uma classe social que não dispunha de recursos para pagar pelos seus concorrentes. Somente uma explicação como essa para entender o seu acerto na votação frente aos demais portais.

E onde entra o marketing nisso? Se considerarmos essa teoria um fato, podemos concluir que o acesso à internet no Brasil está longe de refletir o perfil dos brasileiros, hoje com uma concentração de 50 % nas classes mais abastadas. O crescimento da classe C nesse meio é óbvio, mas ainda existe um longo caminho a ser percorrido, quando se fala de inclusão digital. O BBB, permitindo que a votação se faça por outros meios, como o telefone, cria uma oportunidade de participação de analfabetos digitais.

Esse é um ponto que precisa ser observado com atenção. E iniciativas como a entrada das Casas Bahia no mundo virtual podem nos fornecer melhores detalhes sobre esse movimento num futuro próximo. O risco, como todo profissional de marketing sabe, é nos apaixonarmos pelo novo meio que está surgindo e esquecermos que a realidade é um pouco diferente.

terça-feira, 3 de março de 2009

O futuro é logo ali

Empresa de tecnologia precisa pensar no futuro antes dele ser possível. Se não, não é tecnologia. Os vídeos abaixo apresentam a visão da Microsoft para o futuro daqui a dez anos, em 2019. Não preciso nem falar muito. Vale a pena ver todos eles.

O futuro da indústria

O futuro do varejo

O futuro dos bancos

O futuro da saúde

segunda-feira, 2 de março de 2009

O julgamento do ano

200px-The_Pirate_Bay

Se você mexe com marketing e não sabe nada sobre o julgamento do PirateBay, você está precisando se informar mais. Não. Não tem nada a ver com os Piratas do Caribe, série de filmes da Disney. Trata-se do julgamento do maior site de bittorrents do mundo e pode definir o futuro da indústria fonográfica e dos famosos downloads de arquivos digitais.

Se formos fundo na história, a guerra entre a indústria e os sites que compartilham arquivos de mp3 e outros já dura quase 10 anos. Em 1999, surgia o pioneiro Napster, primeiro programa que fazia comaprtilhamento de arquivos. Seus dois anos de funcionamento foram o suficiente para gerar um mal estar generalizado entre as gravadoras e músicos, que culminou numa ação judicial patrocinada pela Recording Industry Association of America (RIAA).

Se eles foram obrigados a sair do ar,  pois a transferência era feita por inteiro de computador para computador, a partir da invenção do BitTorrent ficou mais difícil a comprovação da pirataria. Como ele parte a música em diversas frações de 256k e os reúne aleatoriamente no computador de quem está realizando o download, fica cada vez mais difícil comprovar e seguir o processo.

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Fazendo uma comparação, o Napster pegava o carro de João e transferia para Pedro. No final, João e Pedro tinham dois carros iguais. O Piratebay transfere de diversos proprietários partes do carro: o volante do João, o capô de Cláudio, o motor da Tereza, etc. No final, todo mundo tem seu carro e o Pedro também. Isso vem deixando os executivos do mercado em povorosa.

O julgamento tem dois pontos importantíssimos para nós que trabalhamos com marketing:

Primeiro – A discussão do direito autoral, que ainda está no começo e deve dar ainda muito pano para manga. Já falei sobre isso e volto a repetir: Direito autoral é uma realidade relativamente nova. Surgiu com a imprensa de Guttemberg, e se desenvolveu com a invenção dos aparelhos de cinema e de reprodução de música, no século XIX. Você já imaginou como Willian Shakespeare ou Ludwig van Beethoven faziam para receber direitos autorais nas suas respectivas épocas?

Se os formatos de divulgação do século XX, papel, discos e fitas cassetes, dificultavam a cópia dos materiais pura e simplesmente, a invenção do computador e da internet jogou por baixo essas limitações. E as pessoas não vão deixar de copiar os materiais que se interessam somente porque isso é ilegal.  Para mim, a indústria fonográfica sabe claramente disso e está tentando ganhar tempo processando todas as iniciativas que aparecem enquanto não criam uma solução que lhes permita controlar o processo.

Segundo – A mudança de paradigma do que é um julgamento e como ele pode ser acompanhado. Os quatro sócios do Piratebay tem uma visão do mundo bastante contemporânea. E aplicam essa visão, não somente no site, mas também no próprio julgamento. Exigiram, e conseguiram, que ele fosse transmitido pela internet (o problema é que ele é em sueco!). Além disso, é possível acompanhá-lo pelo Twitter, com alguns comentários em sueco, outros em inglês. É o que eles chamaram de Spectrial, um misto das palavras espetáculo (spectacle) com julgamento (trial). Esse mix de meios, que aumenta o impacto a favor de um movimento, precisa ser bem entendido, pois cada vez mais afetará as marcas para as quais trabalhamos.

Agora é esperar o resultado do julgamento. E torcer para que a gente possa utilizar o aprendizado desse movimento a nosso favor.

Bye-bye, Unibanco

Foi dado o segundo passo para a absorção lenta e gradual do Unibanco pelo Itaú. Fica cada vez mais claro que a fusão pode ter se dado em termos de ações, mas que o tom da comunicação será feito pelo Itaú.

Em 10 de fevereiro, comentei aqui o novo slogan institucional do Itaú/Unibanco– Um banco único, feito para você. Naquele post alertei que precisaríamos ver um novo anúncio do Unibanco sozinho, para saber se o posicionamento “nem parece banco” havia sido abandonado. Agora vem a confirmação.

Unibanco pós Itaú

Discretamente resurge o slogan “Um banco único”. Só que o que mais chama a atenção é o layout do anúncio publicado na imprensa nesse último final de semana. Todo o trabalho de diferenciação realizado pela F/Nazca nos últimos três anos foi abandonado em favor do layout tradicional do Itaú. Somente trocando o laranja pelo azul no box de título do anúncio.

Compare o novo anúncio do Unibanco acima com um do Itaú deste verão e veja como se parecem. Até a camisa é laranja, numa alusão subliminar à cor predominante nos anúncios do Itaú.

Itaú Boia

Para que a transição não seja abrupta, um dos antigos personagens animados do Unibanco aparece, mesmo que sem nenhuma função, sobre o ombro do rapaz. É o único link com o que foi a história da propaganda do banco desde 2005.

Como estratégia, não tem como não pontuar que está sendo brilhante. Ainda que numa velocidade, talvez, maior do que as pessoas possam absorver. Vamos aguardar os próximos passos.

quinta-feira, 26 de fevereiro de 2009

Não confie cegamente em pesquisas de mercado

A grande notícia de hoje é a reviravolta na estratégia das embalagens do famoso suco de laranja Tropicana. A marca, pertencente à Pepsico, fez uma mudança radical recentemente, no começo de janeiro, e menos de um mês depois foi obrigada a voltar atrás.

Advertising Age e New York Times contam a história em detalhes. É muito interessante ver o  CEO da Arnell Group, Peter Arnell, explicando a modernidade da nova embalagem que não durou nem 30 dias no mercado.

 

 

O assunto parece uma reedição da New Coke, que em 1985 substituiu a Coca-Cola e que durou menos de três meses nas gôndolas, bares e restaurantes, antes da fabricante relançar a antiga fórmula com o nome de Classic. Tudo isso nos Estados Unidos, pois nem deu tempo da nova fórmula rodar o mundo.

Tropicana Orange O mais interessante é que Tropicana tinha uma embalagem que se destacava nas gôndolas, com um símbolo inconfundível – o canudo fincado numa laranja -e com o nome do produto saltando aos olhos do consumidor. Conseguiram, numa só tacada, sumir nas prateleiras, esconder o nome e parecer um produto genérico de suco de laranja.

Topicana comparison O consumidor foi a luta. Blogs começaram a falar das mudanças e questionar o acerto da nova estratégia da Pepsico. Até o Twitter entrou na dança e a mudança foi inevitável.

O assunto vai render páginas e páginas de análise em revistas de marketing e economia. Só um tema, que apareceu no caso New Coke e que retorna agora, chama atenção: Os executivos usam a pesquisa de mercado como bode espiatório. Em ambos os casos, a preferência, em pesquisas de mercado, pela “novidade” versus a versão antiga é apontada como a razão pela decisão das empresas.  Só não se conta que as pesquisas são parte do processo decisório. Que a decisão é tomada com a ajuda, e não por causa, delas.

Olhando o caso Coke, é mais fácil acreditar que os executivos da Coca-Cola acreditavam piamente na novidade, pois fizeram todos os preparos possíveis e tinham certeza no acerto da decisão. Não seria o caso de Tropicana, que sob qualquer ponto de vista parece-me pior do que o que existia anteriormente.

Um dos maiores riscos de mercado, e que as empresas vivem fazendo, é mudar pela mudança. É a busca da novidade, custe o que custar. Não importam as razões, muitas das vezes tomadas por executivos tentando colocar suas marcas na história das empresas. Importa tentar entender que o consumidor é o verdadeiro dono das marcas. E seu envolvimento sentimental é o fator mais importante que não podemos nos esquecer.

A ordem dos fatores altera o produto

O que custa mais caro? Um aparelho elétrico contra mosquitos com um refil grátis, ou um refil com um aparelho elétrico grátis? De acordo com a rede Záffari, comprar o aparelho custa R$ 1,60 mais caro, mesmo que o resultado para o consumidor seja o mesmo.

Esse tipo de distorção ocorre pela velocidade do mercado, pela falta de atenção ou por qualquer outra razão. Em supermercados, então, isso é quase uma regra.

Zaffari

Hoje fui a um super da rede Záffari. Gaúcha, ela é a quinta no ranking brasileiro em 2007, se estendeu recentemente para o estado de São Paulo, mas que continua sulina ao extremo. Fui comprar um produto valioso para o verão quente que está fazendo: um repelente de pernilongos.

Fiquei surpreso com o que encontrei nas gôndolas. O aparelho Raid Elétrico, que vem com um refil custa R$ 7,20. Já o refil do Raid elétrico é encontrado ao lado por R$ 5,60. E já vem com o aparelho de graça.

difusor-eletrico-raid Raid difusor refil

Ou seja, você pode gastar R$ 1,60 a mais se gostar de jogar dinheiro fora. O aparelho é o mesmo, o refil igual, só o formato de comercialização é que é diferente.

Com certeza, o supermercado comercializa, no dia a dia, o aparelho com refil ou o refil sozinho.  A fabricante, Johnson Wax, deve ter feito uma oferta especial de refil com aparelho, para incentivar a compra e surgiu a distorção.

Faltou alguém no Záffari conferir a própria gôndola. Coitados dos incautos que pegam o produto mais caro, pensando que estão levando vantagem. É por essas e outras parecidas que algumas marcas acabam tendo arranhões nas suas imagens.

quarta-feira, 25 de fevereiro de 2009

A reinvenção de uma indústria

Ontem, aproveitei o carnaval para ir conhecer a primeira sala Imax do Brasil. O filme não é novo, Batman – o cavaleiro das trevas, escolhido exatamente por ter algumas cenas gravadas nesse novo formato.

imax

O que me impressionou é a corrida da indústria cinematográfica para se reinventar. Por todos os lados que se olhe, a pressão contra as salas de projeção é enorme. Só que, por mais incrível que pareça, isso está fazendo um bem enorme a ela.

Não vamos nem nos ater ao Brasil. Temos poucas estatísticas por aqui, comparado aos Estados Unidos, além do pouco que existe ser trancafiado a sete chaves. Olhemos para o mercado americano, que além de medir tudo, ainda é a vanguarda nesse quesito.

A vida dos espectadores vem ficando cada vez mais fácil, segurando-os cada vez mais dentro de casa. A qualidade de imagem é cada vez mas assustadora, com telas de plasma ou LCD, vídeos gravados em Blue Ray e os sons surrounds dos home theaters cada vez mais sofisticados. É de se esperar que aqueles que investem nesse tipo de equipamento sejam os primeiros a abandonar as velhas salas de cinema.

Quadro MPAA

Ao contrário. Aqueles que tem 5 ou mais inovações tecnológicas em casa vão, em média, 11,4 vezes por ano ao cinema, contra 7,4 dos que tem 4 ou menos, de acordo com a Motion Picture Association of America.

Ao mesmo tempo, decresce o tamanho das salas e multiplica-se o número de salas multiplex ou megaplex onde, num mesmo espaço de uma grande sala de cinema, proliferam mais de 8 salas. Em 2007, inclusive, as megaplex, com 16 ou mais salas foram as únicas a crescerem no mercado americano.

O cadastramento dos consumidores de cinema é outra das iniciativas da indústria, já comentado aqui em outro post. O lançamento do Hulu, também já comentado, é mais uma tentativa dos barões da indústria.

O que se percebe é que eles estão buscando desesperadamente uma solução que evite ocorrer com eles o que ocorreu na indústria fonográfica, em que as trocas de arquivos mp3 de forma pirata fez desaparecer um mercado altamente rentável.

É uma mudança em andamento. Vamos ver o que acontece e seguir comentando.

terça-feira, 24 de fevereiro de 2009

Fases da vida

Algumas vezes, a imagem diz tudo por si mesmo. Esta, por exemplo, que se chama as 4 fases da vida de um homem. Fantástica!

4 fases da vida

Tão iguais e tão diferentes

As populações são quase iguais. São Mateus, no Espírito Santo, tem 100 mil habitantes. Cambridge, nos Estados Unidos, 101 mil. As duas são quase tão antigas. São Mateus, uma das mais antigas cidades do Brasil, foi fundada em 1544. Cambridge, em 1631. As semelhanças param por aí.

São Mateus foi um dos principais portos de importação de escravos negros do Brasil colonial e local de batalhas históricas. É parte importante de nosso passado e hoje vive da prospecção do petróleo.

São Mateus

Vista do centro de São Mateus

Cambridge, por outro lado, cresceu devido às suas indústrias. Com a Depressão de 30 e a II Grande Guerra, viu suas empresas definharem e a Universidade de Harvard crescer sua importância até se tornar a principal fonte econômica da região.

Cambridge Vista da Harvard Bridge

Apesar de toda essa diferença, me impressiona este Blog ser visitado por pessoas das duas cidades. Não me canso de chamar atenção para esse ponto. A internet diminuiu a diferença entre as grandes e pequenas cidades, entre aquelas que são interioranas ou grandes capitais do mundo.

Devemos ter consciência desse fato, pois isso irá alterar as relações de consumo e sociais nas próximas décadas. Ganha a corrida quem entender isso mais rapidamente.

segunda-feira, 23 de fevereiro de 2009

O líder rendendo-se à concorrência II


Postei, outro dia, sobre as lojas que a Microsoft está planejando abrir, a exemplo das Apple Stores. Hoje, o Estadão publicou matéria do jornal inglês The Guardian sobre o assunto. Vale a pena ver, pois confirma o atraso da Microsoft em entender o novo consumidor.

Porque os japoneses vão crescer no Brasil

Corolla e Civic em NY

A imagem acima é do filme Zohan, o agente bom de corte. O filme, aqui, não importa muito. O que importa é pensar nas conotações dessa imagem. Essa é uma cena pouco importante no filme. O herói está andando num bairro de Nova York com um coadjuvante, conversando sobre o problema entre palestinos e israelenses. Na tomada vemos três carros: Um Toyota Corolla, um Honda Civic e um BMW velho.

Assusta pensar que, dos três carros, dois são fabricados tanto nos países de origem, quanto nos Estados Unidos e Brasil. Mais ainda pensar que os modelos fabricados no Brasil não estão em desalinho com os seus pares estrangeiros.

Até a chegada dos japoneses no Brasil, podemos dizer que a política das montadoras instaladas no país sempre foi de importar para cá modelos que estavam prestes a serem abandonados nos países de origem. Os japoneses chegaram e subverteram essa política.

Podemos perceber que a concorrência até tenta se modernizar. Mas sempre se deixam atrair pela velha técnica do facelift – a modernização pela metade de um modelo local enquanto que o mesmo carro fora do Brasil avança para a geração seguinte. É o caso do VW Golf e do Peugeot 207, que de igual aos modelos europeus só tem o nome. Esses e outros exemplos são carinhas novas em corpos velhos.

Enquanto isso, os japoneses tomam decisões de modernização considerando todas as praças onde tem fabricação, independente dos volumes locais.

Um ponto fica dessa diferença de postura: Se todas as demais montadoras dizem que os volumes locais não justificam a modernização das linhas, se os japoneses não estão perdendo dinheiro no Brasil com uma política tão diversa, como eles conseguem fechar os números que seus concorrentes não fecham?

Ou os japoneses são mais eficazes. Ou os demais concorrentes rasgam dinheiro em suas linhas de produção.

sexta-feira, 20 de fevereiro de 2009

Cheiro de Sangue

Como um tubarão, a Volkswagen percebeu cheiro de sangue no ar, sentiu uma certa fraqueza em sua principal concorrente, e partiu seriamente para disputar a liderança automotiva no Brasil. Em um mês, colocou duas novas campanhas que buscam demonstrar que a marca é a líder em preferência e qualidade no Brasil.

Sua nova campanha de varejo, utilizando-se o MTV Marcelo Adnet, tem como mote “Todo mundo adora”.

VW Todo mundo

É uma ode ao gosto das pessoas, apesar do comercial de lançamento ser bastante óbvio.

Mas foi na campanha de lançamento de seu novo slogan “Das Auto” que ela foi mais fundo na provocação e tentativa de convencimento dos prováveis compradores de automóvel brasileiros.

Os dois comerciais, “É nóis” e “Rigorosos”, citam que um VW tem design e não é somente “um monte de botõezinhos, luzinhas, no painel”.

Os botõezinhos me parecem uma clara referência à linha Locker da Fiat, em que o diferencial é acionado por um… botãozinho no painel.

Locker

Mas mais provocador ainda é o anúncio de revista dessa mesma campanha.

 VW Das Auto

Você se lembra do Gino Passione? Será que ele se bandeou para os lados da Volks?

Gino Passione

Numa leitura final desse movimento, minha sensação é que para entender a campanha precisa estar muito atento à indústria automotiva. É uma provocação da Volks, quase uma piada interna. Tem, apesar disso, qualidades suficientes para ser apreciada pelo consumidor comum.

O momento é mais do que o adequado. Em fevereiro, a Volks vem mantendo-se à frente da Fiat e diminuindo sua diferença no total geral. Mas não espere que a montadora mineira assita a tudo isso sem uma reação à altura.

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2009

Caminhão de cerveja. Sonho de consumo

Não pode ser outra a razão pela qual dois comerciais da Inbev (ex-Ambev) tem uma cena tão igual entre si. Nos últimos comerciais da Antarctica e Brahma aparecem caminhões de cerveja como protagonistas. É engraçado ver que até o ângulo é o mesmo.

Caminhão Brahma

Comercial Zeca e Sorriso

Caminhão A

Comercial Carnaval

A pergunta que não quer se calar é: Rede Globo cobrou duplicidade?

quarta-feira, 18 de fevereiro de 2009

O líder rendendo-se à concorrência

Quem já esteve em Nova York e visitou a loja da Apple na Quinta Avenida já esteve de frente com a imponência e arrogância dessa pequena empresa de informática.

Pequena? Sim. Por todos os aspectos que se olhe, a Apple é uma pequena e charmosa empresa de informática. Se você olha para o produto mais desejado dela, o iPhone, descobre que ela nem está entre as cinco maiores fabricantes de celulares do mundo, detendo apenas 3% das vendas mundiais. Se pensa em computadores, suas vendas em 2007 foram de dois milhões de unidades versus 252 milhões de PC’s. Ainda assim, cada vez mais eles ditam as normas no que tange a inovação no segmento.

Agora é a vez da Microsoft jogar a toalha e copiar descaradamente a estratégia de lojas próprias da concorrente. A Apple abriu, de 2001 até hoje, pouco mais de 200 lojas em todo o mundo. Seu slogan é fantástico: Venha para comprar. Retorne para aprender. Se na época da abertura da primeira loja existiam várias dúvidas do acerto da decisão e reclamações do comércio em geral, hoje em dia ninguém discute mais o tema, além do medo dos comerciantes ter se dissipado.

lojasms-20090213074258

A Microsoft não teve nem vergonha na cara. Como sua concorrente, foi o mercado e contratou um especialista em varejo para montar sua rede. No seu caso, David Porter, ex-Wal-Mart. Na Apple, Allen Moyer, ex-Sony. Como sua concorrente, anunciou que seu principal objetivo, fora as vendas, é construir uma forte relação com seus consumidores e criar melhores e mais relevantes produtos, como resultado.

Agora é esperar e ver os resultados. Quando o pequeno começa a ditar a estratégia do grande, pode aguardar que grandes mudanças de mercado estão para chegar.

Give me a break!

Propaganda boa é isso. A Kit Kat desenvolveu um site para relembrar as pessoas que, de tempos em tempos, nós temos de dar uma pausa no dia. A ideia é ótima. Principalmente o que se lê enquanto o site está carregando. Vale dar uma conferida: http://www.thefirstworldwidewebsitewherenothinghappens.com/

BBB. E o Terra…acertou!

Rede Globo

Uol

IG

Terra

Emanuel

43

40,90

45

39,15

Ana

41

37,04

33

32,89

Mirla

16

22,06

22

27,96

Votantes

Não informado

588.315

191.789

1.290.820

Diferentemente da semana anterior, quando o Terra conseguiu errar por completo o percentual de votos contra o emparedado Newton, nesta quinta eliminação o portal Terra teve uma votação mais próxima do resultado real.

Na semana passada, fiquei impressionado com uma margem de erro tão grande. Resolvi, como bom brasileiro que não desiste nunca, continuar a fazer as comparações e entender as votações nos portais. Desta vez, nenhuma distorção, a não ser a não divulgação pela Rede Globo do número de votantes. Isso significa que o paredão não mobilizou muita gente, o que pode ser aferido da queda de votantes nos demais portais.

Como faltam mais de oito semanas para o final do BBB, vamos ter uma avaliação interessante ao decorrer desse período.

terça-feira, 17 de fevereiro de 2009

Da série anúncios iguais V

Amador é amador. Profissional é outra coisa... O Wilson Oura me deu a dica de um blog que vai fundo nesse tema de anúncios iguais. Não é coisa simples não. Tem comercial que você jura que é o mesmo. 





Vale a pena conferir, nem que seja para rir um pouco: http://losersarchive.blogspot.com/search/label/pl%C3%A1gio%3F

segunda-feira, 16 de fevereiro de 2009

Lei da Oferta e Procura

Um dos princípios básicos que a gente aprende nas primeiras aulas de qualquer curso de economia é a lei da oferta e procura. É muito simples: qualquer produto ou serviço tem seu preço definido por dois fatores - quantas pessoas estão procurando comprar determinado produto e quantos produtos estão disponíveis para serem comprados. Quanto mais gente atrás de algo, mais o preço sobe. Quanto mais oferta do mesmo bem, mais o preço cai. 

É so você se lembrar do show da Madona. Os dois primeiros shows tiveram ingressos vendidos pelos cambistas a R$ 30,00, muito inferior ao preço oficial de R$ 600,00, pela baixa procura. Um baita prejuízo para esses gentis representantes da Lei da Oferta e Procura. Em compensação, no último show, esses mesmos ingressos foram vendidos até por mil reais. Como era a última chance das pessoas, elas pagavam um extra para realizar o sonho de vê-la cantando.


Dois fatos me fizeram lembrar essa teoria. O primeiro, a notícia de que o número de pessoas que se formam para professor está diminuindo no Brasil. De acordo com o Censo da Educação Superior de 2007 do MEC, o número de pessoas que se formaram em cursos relacionados ao magistério caiu pelo segundo ano consecutivo. Contra 2006, a queda foi de 4,5%. Contra 2005, 9,3%. 

É lógico esse movimento. Como diria Lady Kate, sem glamour nem dinheiro, a profissão de professor vem definhando no Brasil, diferentemente de outras profissões direcionadas para necessidades básicas como medicina e odontologia. Talvez o fato de que você não viva sem saúde, mas que sobrevive sem educação, ajude a existir essa distorção.

Mas mais interessante é a notícia de que, na Inglaterra, a carreira de cocaína está mais barata do que uma jarra de chopp ou um copo de vinho. Enquanto que para os ingleses tomarem meio litro de chopp o custo médio beira 2,75 libras e o vinho 3,50 libras, a carreira de cocaína ficaria entre 2 e 4 libras. E olha que esse preço é sem impostos!

De acordo com o ministro do interior, James Brokenshire, a queda do preço indica o aumento da oferta de cocaína no país. Segundo um porta voz do Home Office, departamento do governo inglês responsável pelo combate às drogas, "a redução no preço pode ser associada com o aumento da concorrência ou redução da demanda". Esse cara deve ser economista.

A boa notícia, pelo menos para a educação brasileira, é que o mercado se auto regulamenta. A queda do número de formandos em magistério resultará numa falta de professores para lecionar. Essa falta irá forçar as escolas a pagarem mais pelos profissionais disponíveis. O aumento dos salários fará com que mais pessoas queiram aprender a dar aulas. Isso acarretará em mais professores disponíveis no mercado. E por aí vai...Ao longo do tempo, o mercado se auto regulamentará. Quem viver, verá.

sexta-feira, 13 de fevereiro de 2009

Crise? Que crise? 2

Quem viaja a trabalho a tanto tempo quanto eu e já passou por outras crises econômicas sabe reconhecer o quanto os tempos difíceis irão durar ou não pelo simples movimento nos aeroportos. Se as segundas e sextas não são caóticas nos terminais brasileiros, principalmente em Congonhas, pode se preparar porque a crise é brava. Não parece ser o caso dessa vez.08_MHG_sp_aviaoagua

A Anac divulgou, hoje, os números de janeiro de 2009. O movimento de embarques domésticos cresceu 9,6% sobre janeiro de 2008, mês que não conheceu nenhum problema econômico. É um crescimento astronômico, principalmente se considerarmos que o ano de 2008 foi somente 7,4% maior que 2007. E que janeiro de 2008 havia sido maior do que janeiro de 2007 somente 6,7%. Ou seja, no meio da crise, o movimento nos aeroportos foi ainda maior.

Os embarques domésticos demonstram um ritmo inverso e cairam pela primeira vez nos últimos anos. Refletindo o efeito da alta do dólar. Mas ainda assim, o total de horas voadas pelas companhias aéreas cresce no meio da crise.

Como diz a matéria de Capa da última Exame “…é impossível saber se o PIB brasileiro crescerá algo como 4%, como o governo quer e chegou a projetar, ou próximo de zero, como vaticinam alguns organismos internacionais.” Vendo os aviões pousando e levantando é de se pensar que a crise no Brasil é de confiança.

O carnaval vem aí e com o final dele começa o verdadeiro ano brasileiro. É esperar e conferir.

quarta-feira, 11 de fevereiro de 2009

Da série anúncios iguais IV

Terra e Oi

Não sei onde os criativos bebem suas referências, mas que eles bebem todos ao mesmo tempo, isso sim. Com um pouco de atenção, a gente percebe que certos layouts são mais que parecidos, são semelhantes. Não é um assunto novo nos meus posts e você pode ver os casos anteriores clicando abaixo:

Anúncios iguais I

Anúncios iguais II

Anúncios iguais III


Este final de semana, chamou-me a atenção as campanhas da Oi e do Terra. Independente das duas serem de segmentos próximos, a semelhanca dos layouts em que pessoas rompem com o fundo colorido é enorme. Até a posição do personagem, à esquerda, olhando para a tela é igual. Como são campanhas contemporâneas, só me resta pensar que a inspiração veio da mesma fonte.

BBB. E o Terra errou…

Para quem trabalha ou trabalhou com marketing, uma das coisas mais intrigantes é resultado de pesquisas. Por um lado, vemos os institutos errarem muito pouco nos números das eleições, fazendo pesquisas com um universo relativamente muito pequeno de entrevistas. Por outro, as pesquisas contratadas pelas agências de propaganda são sempre questionadas pelos clientes, pois as análises finais são sempre muito favoráveis à teoria pregada pela própria agência.

Não me cabe questionar aqui esse ponto. Até porque já passei pelos dois lados da mesa – cliente e agência – e uma das ferramentas mais importantes nos meus trabalhos foi exatamente a pesquisa. Mas um fato me impressionou bastante hoje.

portais

Às 23:04 horas, Pedro Bial deu por encerrada a votação no paredão desta semana do Big Brother Brasil. Acessei, no mesmo minuto, os Portais Uol, IG e Terra, que fazem votações paralelas entre as pessoas que os acessam. Os resultados, às 23:05 eram os seguintes:

Rede Globo

Uol

IG

Terra

Newton

72

71,79

74

48,8

Ana

24

20,41

19

46,4

Mirla

4

7,81

7

4,79

Votantes

30.000.000

626.351

224.585

2.086.962

Fiquei curioso. Todos os noticiários nos ensinam que quanto maior a amostra, menor a margem de erro. O Terra, terceiro maior portal do Brasil de acordo com o Ibope/NetRatings de dezembro, conseguiu dois feitos muito interessantes:

Primeiro, atrair dois dos seus 12,9 milhões de visitantes únicos para votarem na sua enquete entre domingo e terça. É mais de três vezes o que o líder Uol conseguiu e quase dez vezes o que o segundo colocado IG teve de resultado no mesmo período. Sem problemas, já que a Rede Globo, entre telefonemas e internet conseguiu um número quinze vezes maior.

Mas o segundo ponto é o mais curioso: Apesar dessa votação maciça, os seus percentuais passaram longe do resultado final, enquanto seus concorrentes ficaram dentro de margem de erro, digamos, razoáveis.

Muitas podem ser as teorias que explicam essa distorção. Pode ser que o tipo de audiência que o Terra atraia seja diversa dos outros portais, ou talvez tenhamos alguns fanáticos votando diversas vezes no Terra, o que pode distorcer o resultado, ou qualquer outra razão. O importante é termos um caso tão claro de distorção nas mãos, que nos faça tentar entender melhor o que significam os resultados de uma pesquisa.

Eu, confesso, não entendi. Quem tiver uma explicação, favor se manifestar.

terça-feira, 10 de fevereiro de 2009

O novo slogan do Itaú/Unibanco

Deixando de lado a brincadeira do último post sobre o assunto, a dupla Itaú/Unibanco estreou, neste final de semana, seu novo slogan: Um banco único, feito para você.

O interessante de se perceber nesse slogan é que ele ignora os últimos quatro anos da tentativa de se convencer o consumidor de que o Unibanco estaria acima da média e, portanto, nem pareceria um banco. Criado pela F/Nazca no início de 2005, o posicionamento foi deixado de lado e substituído pelo antigo “banco único”, da década de 1990, de autoria da W/Brasil.

Resta acompanhar a publicidade do Unibanco em si, aquela que ele ainda faz separadamente do Itaú, e ver se o posicionamento “nem parece banco” desapareceu de vez. Aí ficaria claro se tivemos uma fusão, como foi anunciado, ou uma simples absorção.

O que seria do Lula se já houvesse a SawStop

Stephen Gass, um inventor americano, criou uma serra elétrica à prova de acidentes com humanos. De uma forma simples, a serra elétrica se retrai quando entra em contato com qualquer pedaço de pele humana.

Não existe mágica no processo. Por meio de pequenos implusos elétricos, um sistema de segurança freia e recolhe a lâmina de qualquer serra com SawStop. O corpo humano, para ser mais exato, a pele humana, absorve os pulsos elétricos, causando a interrupção da corrente e o disparo do freio do equipamento. Parece truque, mas não é.

O invento é novo. Muitos já perderam braços, mãos e até dedos em serras por toda a história da humanidade. Para a maior parte isso pode ter sido uma infelicidade. Para nosso presidente Lula, foi o começo de sua carreira de sucesso político. Agora imagine: Quem seria nosso atual presidente, se a SawStop tivesse sido inventada nos anos 1950? Sorte de uns, azar de outros…

quinta-feira, 5 de fevereiro de 2009

Bicicletas. Um mercado que não para de crescer

Eu sou um entusiasta do ciclismo. Adoro dar umas voltas com a minha bicicleta e se até hoje não troquei meu carro por uma magrela para ir trabalhar é porque ainda não se respeita o ciclista no meio do trânsito.

Mas é interessante ver o que está ocorrendo de forma mundial nas vendas de bicicletas versus automóveis:

World Bicycle and Automobile Production, 1950-2007 

Entre 1950 e 2007, o mercado de bicicletas vem crescendo em percentuais bem maiores do que o de automóveis. Segundo o instituto Earth Policy, se em 1950 eram vendidas 11 milhões de bicicletas versus 8 milhões de carros, em 2007 foram 130 contra 52 milhões. Ou quase três bikes para cada possante de quatro rodas. E a maior parte delas é adquirida para transporte urbano, não para diversão. Em São Paulo, por exemplo, 71% das pessoas usam para se deslocar para o trabalho, 12% para ir à escola e somente 4% por lazer. E não estamos falando de uma cidade propícia para tal.

A-Bike  Xiclet 2

Clique nas imagens para maiores informações

Soluções tem aparecido e designs de bicicletas especiais para o deslocamento nas grandes cidades tem sido criadas, procurando a facilidade de transporte e de armazenamento.

erictrike5

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São tão criativas quanto esquisitas. A ponto de se questionar se podem ser consideradas como bicicletas. Resta saber quantas dessas invenções irão emplacar. Mas isso é assunto para outro post…

quarta-feira, 4 de fevereiro de 2009

Novo visual

Como quem me lê sabe, o pincipal objetivo deste blog é testar o meio. Gosto de discutir marketing, mas gosto mais de aprender a fazê-lo. Hoje, resolvi testar um novo visual. Nos três anos de blog, entre Uol e Blogger, esta é a quarta mudança. Queria saber a sua opinião: camu.moreno@hotmail.com.

Você é o que você lê

O mundo está em crise, certo? E o Brasil? Tem crise ou não tem? Se depender das leituras que você lê diariamente, sua conclusão pode ser que a única solução é saltar de um prédio, ou que o Brasil é uma ilha de prosperidade.

Não dá para pensar que a imprensa é isenta e imparcial. Os jornalistas são pessoas e, portanto, tem sentimentos e opiniões. Que, por mais que não queiram, impressionam as mensagens que eles queiram passar aos seus leitores.

Para não ficar longe do universo automóvel, listo abaixo três títulos de jornal dessa semana, falando do mesmo tema, as vendas de janeiro:

Correio Braziliense:

Venda de automóveis começa ano com queda de 11% no Brasil

Jornal do Commercio

Vendas cresceram 1,5% em janeiro

Estado de S. Paulo

 Venda de carros cresce 3,16% 

mas setor tem recuo de 5,2%


Resta a dúvida, ao final. Como é possível cair 11% e crescer 3,16% ao mesmo tempo?

Para piorar, se você, antes de sair de casa, lesse hoje o portal da Jovem Pan descobriria que as vendas subiram, na realidade,5,11%. E que, de acordo com a Fenabrave, foi a primeira alta nas vendas no período em 17 anos.

Ai, você para num sinal, recebe o jornal Destak e lê assustado que a Indústria leva o pior tombo em 17 anos.  Os mesmos 17 anos!

Afinal, o mercado cresce, cai, existe um record de vendas depois de 17 anos, ou o pior tombo depois desse mesmo período? Não importa. O certo é você escolher com qual humor você irá estar no dia. E ler as matérias certas...

Líder muda. Para continuar líder

Não precisa pesquisar muito para ver o impacto que a entrada das Casas Bahia produziu com sua entrada, aliás atrasada, no comércio eletrônico. Todos os meios de comunicação deram a notícia, seja pelo interesse que eles próprios tem no varejista, seja pelos impactos que a maior rede brasileira tem no mercado como um todo.

A estreia foi tímida, considerando-se o tamanho da rede. E errada, pois o tiro deles foi tentar ensinar o consumidor a acessar a página. Só que divulgar um endereço, que é óbvio, com um vídeo de quatro minutos e meio no Youtube é não conhecer com quem se está falando.

Mas não fique feliz achando que eles não irão se encontrar rapidamente. Em novembro de 2005, as Casas Bahia lançaram, junto com o Bradesco, seu cartão de crédito co-branded. Naquela época, Michael Klein, filho do fundador e atual presidente, dizia que o cartão seria “…para vendas parceladas em até 24 vezes na rede…” com “…juros de 3,5% ao mês e limite a partir de R$ 100...” Hoje, não existe mais anúncio da rede que não declare ser possível comprar em 10 vezes sem juros, numa versão de venda muito mais voltada para as classes A e B do que para os tradicionais clientes da classe C e D da rede. Em três anos eles já emitiram mais de cinco milhões de cartões próprios. São as Casas Bahia conquistando novas faixas de público.

Agora é a vez da Internet. A mesma disposição em aprender o que o consumidor que se utiliza de cartão de crédito quer deverá ser vista na busca pelo consumidor desse novo canal de vendas virtual. Não é a tôa que eles são os reis do varejo brasileiro.

terça-feira, 3 de fevereiro de 2009

Superbowl. Super show

Ontem foi o dia do Superbowl de número 43. Para quem não conhece, é o jogo final do campeonato americano de futebol. Não o futebol como temos no Brasil, mas o futebol jogado com as mãos. É o programa de maior audiência na tv americana e dura cinco horas, em média. Mas o mais importante para nós que vivemos de marketing não é o jogo em si e sim os intervalos.

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São os trinta segundos mais caros do mundo, algo como três milhões de dólares. E os anunciantes americanos se esmeram em lançar ali seus comerciais mais caros.

Este ano, o Youtube reuniu todos os comerciais numa página de internet especial, a Adblitz 2009. São 53 comerciais que valem o tempo que você vai dispender em frente ao computador. Eu os vi e abaixo listo meus preferidos:

Coca-Cola – Especialmente o que brinca com Avatares.

Pepsi – Também não fica atrás. Principalmente o comercial com Bob Dylan. O da Pepsuber precisa de ser um conhecedor do programa Saturday Nigth Live, ou do McGyver…

Bridgestone – É fantástico pensar em pneus roubados por alienígenas. Em Marte.

Miller – E seu comercial de um segundo!

O péssimo anúncio de uma empresa que compra ouro. Pelo correio. Outro de serviço de entrega de flores por telefone. E um de site para arrumar encontros amorosos para pessoas casadas. No mínimo é interessante pensar que esses serviços geram lucro suficiente para pagar um comercial de três milhões de dólares.

E os comparativos entre produtos concorrentes, representados por um comercial da Hyunday e outro da Castrol.

Se quiser, confira a relação com a avaliação da Advertising Age.

É uma verdadeira aula de como fazer publicidade. Do país que levou o assunto a sério e o transformou em ciência.

A propósito, Pittsburgh Stellers ganhou o Superbowl.

 
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